Eu sei que ninguém tem nada a ver com isso. Ninguém se interessa e todos se estão nas tintas mas... vou para a praia do peixe fresco, do melão partido aos bocadinhos, da água agitada e do sol radioso. Depois volto, cansada de recheios de alma e contente com todas as coisas.
8.7.09
7.7.09
QUE A MÚSICA SE OIÇA
6.7.09
ESTAR NO TEMPO

Keith Haring
Fora da cidade, o tempo passa mais devagar, dizem. O tempo é o contínuo movimento da consciência e, como tal, não passa de um vaivém subjectivo de acontecimentos que presenciamos ou nos quais participamos, com maior ou menor intensidade. Quando o prazer é imenso, o estar permite ao tempo pouco mais que instantes. Quando o desprazer acontece, o estar permite ao tempo sensação de eternidade.
4.7.09
3.7.09
DA CINTURA PARA CIMA
Há os que vivem da cintura para cima, como se o corpo servisse apenas para transportar a cabeça cheia de ideias.
2.7.09
30.6.09
À PORTA DO PRÉDIO
29.6.09
28.6.09
38 - KEITH HARING

4 de Maio de 1958. 16 De Fevereiro de 1990.
Artista gráfico. O Seu trabalho reflecte a cultura nova-iorquina dos anos 80.
Nascido no estado de Pensilvânia, cedo mostra interesse pelas artes plásticas. De 1976 até 1978 estuda design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh. Antes de acabar o curso, transfere-se para Nova Iorque, onde será grandemente influenciado pelos graffitis, inscrevendo-se na School of Visual Arts.
Artista gráfico. O Seu trabalho reflecte a cultura nova-iorquina dos anos 80.
Nascido no estado de Pensilvânia, cedo mostra interesse pelas artes plásticas. De 1976 até 1978 estuda design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh. Antes de acabar o curso, transfere-se para Nova Iorque, onde será grandemente influenciado pelos graffitis, inscrevendo-se na School of Visual Arts.
Keith Haring começa a ganhar notoriedade ao desenhar a giz nas estações de metro de Nova Iorque. As suas primeiras exposições formais acontecem a partir de 1980 no Club 57, que se torna um ponto de encontro da elite vanguardista. Na mesma década, participa em diversas bienais e pinta diversos murais pelo mundo.
Em 1988, abre uma Pop Shop em Tóquio. Na ocasião, afirma:
"Na minha vida fiz muitas coisas, ganhei muito dinheiro e diverti-me muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não contrair HIV, ninguém mais contrairá."
Meses depois declara em entrevista à revista Rolling Stone que tem o vírus HIV. Cria a Keith Haring Foundation, em favor das crianças vítimas de sida.
Em 1989, perto da igreja de Sant'Antonio Abate, em Pisa, Itália, executa a sua última obra pública – o grande mural intitulado Tuttomondo, dedicado à paz universal.
Haring morre aos 31 anos.
27.6.09
26.6.09
25.6.09
ERUDITO E PORNOGRÁFICO
Traz o sorriso dentro de um bolso. Usa-o em correcta medida. Cansa-se em corridas pela cidade, coisa de muita importância para quem acredita. Entra na sala cheia de poucas pessoas e encosta-se ao balcão. Ao canto olha melhor para todos. A tatuagem escondida na perna significa muito, tudo.
É cordial. Tira o sorriso do bolso quando a conversa inquieta. Escolhe o momento. Em silêncio diz que está, para continuar o caminho ou para travar a fundo.
Todos os dias de manhã, o copo de leite serve de desculpa. Bebe em goles pequenos, enquanto olha para o que à volta lhe interessa. Coisa pouca o interrompe. Dentro, para lá da cara bonita e do corpo vitaminado, existe outro, bem mais inteiro.
A gargalhada é ferramenta de trabalho e de alguma defesa. Encetou vida muito cedo, construiu valores sólidos. Olha para a frente com a convicção conduzida pelas pernas que correm todos os dias.
As mãos são sinal de um trabalho na alma e na terra, capaz de agarrar mundos distintos. Quando pega no copo cheio do que pediu e lhe foi concedido, percebem-se as intenções.
A atitude ocupa espaço. Perto de quem se encosta ao balcão, a energia é diferente. Agora é tempo de convívio, pensa. Ouvem-se dislates e todas os risos se soltam, todos os corpos balançam. A sala alheia-se do que, no canto, acontece. Melhor assim.
Olha nos olhos de quem lhe fala. Atento. Disse-me, um dia, que a erudição e a pornografia se podem ver no sorriso das pessoas. Assenti.
Todos os dias de manhã, o copo de leite serve de desculpa. Bebe em goles pequenos, enquanto olha para o que à volta lhe interessa. Coisa pouca o interrompe. Dentro, para lá da cara bonita e do corpo vitaminado, existe outro, bem mais inteiro.
A gargalhada é ferramenta de trabalho e de alguma defesa. Encetou vida muito cedo, construiu valores sólidos. Olha para a frente com a convicção conduzida pelas pernas que correm todos os dias.
As mãos são sinal de um trabalho na alma e na terra, capaz de agarrar mundos distintos. Quando pega no copo cheio do que pediu e lhe foi concedido, percebem-se as intenções.
A atitude ocupa espaço. Perto de quem se encosta ao balcão, a energia é diferente. Agora é tempo de convívio, pensa. Ouvem-se dislates e todas os risos se soltam, todos os corpos balançam. A sala alheia-se do que, no canto, acontece. Melhor assim.
Olha nos olhos de quem lhe fala. Atento. Disse-me, um dia, que a erudição e a pornografia se podem ver no sorriso das pessoas. Assenti.
24.6.09
OBRAS
23.6.09
20.6.09
FESTA
19.6.09
NADA PARA DIZER
18.6.09
37 - JOSÉ DE GUIMARÃES

Nasceu em 1939. José de Guimarães é considerado um dos principais artistas plásticos portugueses de Arte Contemporânea.
Com uma obra notável, particularmente na pintura, fez também incursões na escultura e noutras actividades criativas a nível estético, quer nacional, quer internacionalmente.
Na sua obra, a cor desempenha um papel fundamental e a sua temática principal é o corpo humano.Um dos mais galardoados estetas portugueses, José de Guimarães encontra-se representado em museus e colecções públicas espalhados por todo o Mundo.
Com uma obra notável, particularmente na pintura, fez também incursões na escultura e noutras actividades criativas a nível estético, quer nacional, quer internacionalmente.
Na sua obra, a cor desempenha um papel fundamental e a sua temática principal é o corpo humano.Um dos mais galardoados estetas portugueses, José de Guimarães encontra-se representado em museus e colecções públicas espalhados por todo o Mundo.
17.6.09
GRITO
Cara Amiga;
Peço-te desculpa. Não tens que ler nem gerir as palavras que escrevo. Não tens sequer que dispor do tempo para mastigar o que não é teu. “Do silêncio faço um grito, que o corpo todo me dói”, oiço em manhã cheia de nuvens, como convém aos poetas, aos que sofrem, aos que fingem, aos que roem palavras em silêncio.
Esta carta é para alguém que ouve, sabe ler e sente. Estes parágrafos são os de quem não tem sede do que já foi, de quem usa a poesia para cobrir a epiderme. Apenas.
Não me peças para explicar porque te escrevo, não sei. Em pedaços de manhã com um sumo de laranja e um queijo fresco em pão saloio, pude verificar que os ouvidos de alguém estão despertos. Talvez a vida nos leve para perto dos que estão em energia densa e completa de esperança. O tempo do desencanto profissional é, também, o tempo do projecto que fervilha em neurónios inquietos.
Poucas vezes percebi pessoas como eu e não sei se isso é bom ou mau. Não interessa. Sou muito mais do que fui e isso leva-me a lugares que ainda não vi, quero ir. A vida depois dos quarenta adensa-se, fica muito mais quente.
Talvez a ausência me tenha feito sentar aqui, numa manhã depois de treino intenso em máquinas estúpidas, e antes do cheiro posto no corpo preparado para sair.
Estas palavras são importantes. Tenho ideias espalhadas numa cabeça lúcida, tão lúcida que me assusta. Acredito que a lucidez pode levar à loucura. Entre os dois estados me tento manter para que a sobrevivência seja possível e saudável.
Estou óptimo, não te assustes. Fui ler o texto acima e pareceu-me deprimente. Não o é. Partilho um estado de alma, se me permites. Coisas de gajo sem mais nada para fazer.
Vou ver o vento.
Um beijo.
A.
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