21.7.09

QUASE


Tapiés

Quase férias. Quase vento. Quase mar. Quase finais de tarde perto de tudo. Quase o riso das gaivotas. Quase longe da internet. Quase indecisa entre o sol e o mar. Quase o tempo de escolher entre o ver e o olhar.

20.7.09

40 - Antoni Tapiés




O seu pai era advogado e a sua mãe era filha de uma família de políticos catalães. A profissão do pai e as relações políticas do lado da mãe, proporcionaram-lhe um ambiente liberal durante a infância.

Em 1942, devido a uma doença pulmonar, passa algum tempo a convalescer num sanatório. Durante esse período, dedica-se a copiar obras de artistas como Picasso e Van Gogh.
Lê Nietzsche e Dostoievsky ao mesmo tempo que ouve a música de Richard Wagner. Estuda Direito na Universidade de Barcelona e dedica-se à pintura e às colagens de conteúdo existencialista e surrealista.

Em 1945, abandona os estudos e, no ano seguinte, instala-se num estúdio em Barcelona. A década de 70 foi de prestígio internacional. A obra de Tàpies foi exposta nos principais museus de arte moderna de todo o mundo.

Doutorado por diversas vezes Honoris Causa, recebeu inúmeros prémios, dos quais se destacam a Medalha de Ouro da Generalidade da Catalunha (1983), e o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes (1990). Em 1990, é inaugurada a Fundação Antoni Tàpies, instituição fundada pelo próprio para divulgar a arte contemporânea.

19.7.09

DIA SEGUINTE


Van Gogh

O dia a seguir é sempre pleno de verde. Depois do almoço.

18.7.09

RITMOS FELIZES


Van Gogh

Quando a família se reúne. Longe dos monitores e dos trabalhos de espécie diversa, a música e o canto são comuns diversões. O piano está no canto da sala, despido para mãos femininas, pronto para gritos afinados de quem, com mestria, desenvolve ritmos felizes.

17.7.09

VOU


Van Gogh

Vou longe, oferecer o presente. Ficar contente com a música e as gentes que dançam.

16.7.09

15.7.09

DIA DOS CINQUENTA


Van Gogh

Feliz aniversário ao que bem cozinha, ao que ouve Jazz e ao que ri de piadas quentes.

14.7.09

DEPOIS


Van Gogh

Depois dos pés descalços, despejou a água suja da bacia. Depois do corpo dorido, o riso de uma noite sem sono. Porque a vida dos cansados também tem momentos.

13.7.09

O TEMPO, O TÉDIO E A VIDA


Van Gogh

O livro que leio proporciona noites longas. A história existe além do escrito. Todas as páginas são lugar de paragem. A vida de Hans Castorp no cume de uma montanha foi conselho de um simpático colaborador do espaço Leya da Feira do Livro. Disse-me, depois de interpelação minha:
- Anda a ler Musil e não leu A Montanha Mágica? Acha normal?
- Só li A Morte em Veneza.
- E leu muito bem mas falta-lhe “A Obra”.
Dei uma gargalhada e trouxe o volume para casa com mais sete e um cesto de verga que serve para transportar hortaliças do mercado de Alvalade. Sempre que lhe pego lembro o sorriso adolescente que me falava da “obra” com o entusiasmo de leitor atento.
Há três páginas sublinhadas, notas sobre o tédio e o tempo aglomeram-se nas margens. A relação entre o tempo e as nossas vidas, a lesão que o tempo pode causar na vida ou a vida no tempo. Inquietante. Thomas Mann leva-nos à ideia de que a monotonia e o vazio fazem com que a percepção do tempo seja a de um período fastidioso e lento, contudo, os enormes e vazios períodos de tempo dissipam-se até ao nada, o que leva a que tempo do nada seja um tempo não preenchido que passa depressa demais.
Por outro lado, há a convicção de que um conteúdo interessante pode acelerar a hora ou até o dia, no entanto, o conteúdo confere peso, solidez e amplitude à marcha do tempo. Assim, os momentos ricos em acontecimentos acabam por passar mais devagar que os momentos leves e vazios “que o vento arrasta consigo como se folhas fossem”.
O nada de uma vida sem acontecimentos, pode levar-nos à sensação de lenta passagem. Errado. O vazio de circunstâncias é a marcha para a vida atravessada depressa e sem recheio. A ideia de recheio, de uma vida com acontecimentos e perspectivas, pode levar-nos à sensação de rápida corrida . Errado. Circunstâncias recheadas de ser e estar são a marcha para a vida atravessada devagar porque, muitas coisas acontecem. O tempo preenchido é mais longo, ou a sensação que dele temos.O tédio é, portanto, uma “abreviação doentia do tempo decorrente da monotonia”. Quando um dia é igual a todos os outros, a vida é igual a todos os dias e, assim, a vida é sentida como extraordinariamente curta, esgota-se na habituação quotidiana a um aglomerado de nadas vividos com sensação de lentidão que acabam por se evaporar.
Apenas a mudança pode preservar a nossa vida e dar-nos, do tempo, a ideia de que, por ser e estar recheado de conteúdos, nos permite uma passagem mais lenta e saborosa. Como os que afirmam: “tenho 80 anos mas vivi 200”. Esta é a sensação perfeita de quem passa pela vida e preenche o tempo sem dar lugar ao tédio. Porque o vazio causa sempre amargo de boca.

12.7.09

SONO


Van Gogh

A cada dia que passa, a percepção do sono é mais limpa. Ao acordar, espreguiçam-se todos os desejos, depois de uma Lisboa contente.

11.7.09

PIROSO


Van Gogh

Piroso é o cor-de-rosa. A única cor que não identifica o feminino porque ser mulher não pode, nunca, significar cor-de-rosa.
Piroso é a flor pintada em sala cor-de-rosa. O único objecto que não devia poder pintar-se é a flor. É genuína demais para se plagiar.
Piroso é o som lamecha de Mariah Carey em aparelhagem cor-de-rosa. A única música que causa brotoeja a quem não usa essa cor e não pinta flores em quadros
.

10.7.09

VINCENT VAN GOGH




Vincent Willem Van Gogh - 1853 - 1890
Pintor pós-impressionista, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.
A sua vida foi marcada por fracassos. Incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais, sucumbiu a uma doença mental, suicidando-se aos 37 anos.
A sua fama póstuma cresceu após a exibição de 71 das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. Depois da sua morte a sua obra foi amplamente reconhecida.
Van Gogh é considerado pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas frentes da arte do século XX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstraccionismo.
O Museu Van Gogh em Amsterdão é dedicado aos seus trabalhos e aos dos seus contemporâneos.

9.7.09

AO LONGE


Keith Haring

Os mosquitos infestaram o vidro. A matrícula ficou pouco visível. A mortandade dos insectos contrastou com a vida do dia esticado debaixo do vento.
Depois das pernas frias e das costas molhadas, depois da luz que foi embora, Lisboa continuou longe.

8.7.09

DOBRAS E GRITOS (35)

Eu sei que ninguém tem nada a ver com isso. Ninguém se interessa e todos se estão nas tintas mas... vou para a praia do peixe fresco, do melão partido aos bocadinhos, da água agitada e do sol radioso. Depois volto, cansada de recheios de alma e contente com todas as coisas.

7.7.09

QUE A MÚSICA SE OIÇA


Keith Haring

Depois de muito tempo, depois de muitos lugares, depois de muita gente, depois de tudo, a segurança de um lugar efectivo. Finalmente!

6.7.09

ESTAR NO TEMPO


Keith Haring

Fora da cidade, o tempo passa mais devagar, dizem. O tempo é o contínuo movimento da consciência e, como tal, não passa de um vaivém subjectivo de acontecimentos que presenciamos ou nos quais participamos, com maior ou menor intensidade. Quando o prazer é imenso, o estar permite ao tempo pouco mais que instantes. Quando o desprazer acontece, o estar permite ao tempo sensação de eternidade.

3.7.09

DA CINTURA PARA CIMA


Há os que vivem da cintura para cima, como se o corpo servisse apenas para transportar a cabeça cheia de ideias.

2.7.09

30.6.09

À PORTA DO PRÉDIO


Keith Haring

Nem sempre a chuva causa transtorno. Na cidade, os dias de chuva e lazer são os dias em que se dança à porta do prédio, com os ténis do ginásio e a blusa transpirada.