11.12.09

Lá vou eu ver se as botas novas podem ser compradas para o dia em que o Pai Natal anda ocupado e o Menino Jesus dorme até tarde.

10.12.09

A minha filha já viaja à frente. Parece uma pequena mulher com sonhos dos que se não comem. Na noite de Natal agarra no escuro com a esperança contida de o poder esmagar, junto à estrela do presépio.

9.12.09

A minha mãe costuma dizer-me que a vida é difícil. Tem razão. Na época do Natal lembro-me sempre das razões da minha mãe.

8.12.09

Ontem deitei-me com dores nas costas. Os sacos que não trouxe da loja fizeram-me lembrar os dias em que os carrego sem prazer.

7.12.09

Sentei-me num degrau. As mulheres carregam sacos e cansaço. O bacalhau está mais caro este ano. A consoada continua a ser penosa para elas.

6.12.09

O Pai Natal este ano está mais magro. Disse-me, outro dia, que andava cansado dos meninos que faziam birras.

5.12.09

O S. José também ficou na loja. Perto dos outros brinquedos que não interessam por não brilharem.

4.12.09

Há dias em que me sento no carro de frente para o povo que passa. Trazem as bolinhas na mão para colocar na Árvore de Natal. Esquecem-se sempre da Nossa Senhora.

3.12.09

Agora é aguentar tudo com calma. Pôr as mãos no colo e esperar que a embriaguez passe.

2.12.09

Ter de viver entre ocupadas cabeças e corpos em desassossego por estarem atrasados para as compras.

1.12.09

Começou o mês do Natal. A época das gentes em azáfama. Os dias de fila para a alienação. As noites com pacotes aglomerados perto de um Menino Jesus esquecido durante o ano inteiro e mal lembrado em Dezembro.

30.11.09

BOAS SENSAÇÕES


Helen Frankenthaler

Dormi muito. Tive a sensação de que o Natal já tinha passado.

28.11.09

LIMPEZA


Vou para a banheira para ver se a água me limpa contradições.

27.11.09

COISAS QUE A GENTE VIVE

As coisas que a gente vive ficam na carne cravadas. São frases e gestos e gostos e cores e corpo e alma e espera e grito e morte e canto e sono e tempo e espaço e gente e cheiro e tudo o que, aqui, se grava em forma de cravo enterrado bem dentro.

26.11.09

SABEDORIA BUDISTA


Helen Frankenthaler

"De acordo com a sabedoria de Buda, podemos na verdade utilizar as nossas vidas para nos prepararmos para a morte, sem precisarmos de esperar pelo falecimento doloroso de alguém que se encontre perto de nós, ou pelo choque de uma doença terminal para começarmos a olhar para as nossas próprias vidas."

O Livro Tibetano da Vida e da Morte; Sogyal Rinpoche

25.11.09

VERDADE

Era uma vez uma mulher que dizia sempre a verdade e era infeliz.

24.11.09

PERCURSOS



Continua no percurso pelas ruas de Lisboa. Gente nova com saudade e destino no corpo. Vozes. Escadinhas da Mouraria e a nostalgia do tempo em que ia aos fados de mão dada com o meu pai. Sentava-me à mesa e não entendia por que razão viajavam para ouvir a guitarra. Hoje espanto-me e arrepio-me. Coisas da idade que chega.

23.11.09

MAXIME




Hoje vou ao lugar das memórias. Ali perto do Parque Mayer, onde foste profissional atento, onde viveste acima do tempo e do espaço.

22.11.09

DOBRAS E GRITOS (38)

Casamento, união de facto, união sem ser de facto, contrato, consentimento, divisão de espaço e tempo, partilha de corpo e alma, troca de fluidos, mistura de afectos. Chamem-lhe o que quiserem, o que der mais jeito, o que for mais conveniente, o que ficar melhor na fotografia, o que convier aos dois, o que for aceite no registo civil mas… por favor, parem de meter o bedelho na vida pessoal e íntima de cidadãos que trabalham, pagam impostos e têm direitos. O estado não pode intrometer-se na cama das pessoas, a igreja não tem que opinar sobre a intimidade de cada um. Ainda não entendi por que razão o casamento entre pessoas do mesmo sexo é assunto. Legalizem o que há para legalizar. É a igualdade que está em causa. Esperam o quê?

21.11.09

MATILDE


Robert Doisneau

Vamos embora, Matilde. A mãe disse que precisava da nossa ajuda. Amanhã voltamos com as nossas rodas e os nossos anseios.