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| Vik Muniz (Ava Gardner) |
29.2.12
17.2.12
16.2.12
Vontade
Que venha a noite escura e fria.
Que venham ideias em corpo prostrado. Que venham as mãos, postas fora do nada.
Que venha tudo. Que venha o alívio por ter feito o que há muito devia ter sido
feito. Que venha o presente que pôs em mim a vontade.
13.2.12
Igualmente diferentes
Às vezes o frio dos dias substitui o tempo das ideias quentes. Há dias sempre iguais, tão iguais que fazem toda a diferença.
12.2.12
Inércia
Os dedos no teclado. Sem sossego.
Sem remédio.
O frio trouxe a incapacidade e a inércia. Boa semana.
5.2.12
A densidade que a vida tem
3.2.12
Tempo de chá e de frio
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| Foto minha |
Quando a temperatura baixa, as
mãos ficam frias. O bule é de ferro. A infusão chega depois do almoço.
Resta o descanso de um estômago aquecido. As mãos que pegam na chávena são,
também, as mãos que desejam o bule. Depois, o contentamento deita-se em cima da
ausência de açúcar. Quanto ao bolo de chocolate, espera-se que a vontade
arrefeça.
31.1.12
Desejos escondidos
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| Juarez Machado |
Os desejos escondidos são da cor de
um final de dia de Verão. Arrumam-se num cinzento pálido e vêm ao de cima num
laranja que esmorece. Porque o sol se vai embora no momento em que queríamos
que ficasse e, ao mesmo tempo, a noite chega desencontrada do tempo que escolhemos
para dormir. Os desejos que se escondem são assim, intermitentes enquanto
olhamos para eles com os olhos postos numa indecisão que desregula.
30.1.12
Piso 12
24.1.12
Parva vontade
É a minha vontade, a vontade que desarruma as ideias e as leva para gavetas impróprias. A vontade que se agarra e se tapa com o cobertor castanho, se empurra para debaixo do sofá de um escritório muito desarrumado. Parva, esta minha vontade sem caminho.
20.1.12
A menina da caixa de seda
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| Andrew Wyeth |
Era uma vez uma menina.Tinha tanto medo de cair que andava muito devagar. Um dia percebeu que os passos lentos a levavam perto de ideias rijas e que o medo pode ser a causa de algumas durezas.
As durezas que a menina aprendeu ficaram marcadas nas pernas. Todos os dias as via. Os passos lentos continuavam lentos, as ideias cada vez mais rijas e o medo todo dentro de uma caixa de seda cor de rosa.
A menina que tinha medo de cair não cresceu, ficou à espera que o tempo passasse. Quando descobriu que o tempo passou mais depressa que os seus passos sentou-se e abriu a caixa, o medo já lá não estava!
19.1.12
18.1.12
Prazer ausente
Quando, do
gelo tirou as mãos, conseguiu dizer ao corpo todo que o arrepio se assemelha a
um prazer ausente. Fez das mãos instrumento de gozo maior. Porque o sexo não
está senão no sítio do corpo que pede para gritar.
17.1.12
Sumo branco
Não te
esqueças do corpo e do peso, do suor e do berro, de todo o movimento que buscas
no desassossego do chão desarrumado. Não te esqueças que o dia vai nascer. Arranca
de mim os sentidos e faz com que me apegue à alma que me devora. Nunca mais
que o corpo, quando o cheiro impregna a cama e todas as ideias se esvaem
em sumo branco.
16.1.12
Cheiro da certeza
Não me
deixes sair sem perceber se os sentidos estão alinhados com o prazer. Não me
deixes ir embora sem o cheiro da certeza e do sentir. Não fiques parado a olhar
para o meu despir, reage com os dentes fechados em boca que espera. Os pés
estão perto. Junta-os, faz deles objeto de prazer. Os pés estão tão perto
quanto as mãos, delas resulta o tremor que todo o corpo repete quando o calor
se confunde com o desejo que não queres adiar.
15.1.12
Quieta
Destapou a
cara com a violência que tinha posto no abraço. Empurrou-a com a leveza do
desejo e disse-lhe: fica quieta enquanto eu te quero. Calado lhe mostrou os
gestos, os nomes e os movimentos. Calado, fez dela objeto de gozo. E ela deixou.
Deixou os braços e as pernas e o corpo inteiro para o seu silêncio. Deixou a
quietude fora da porta para que pudesse, com os braços e as pernas e o corpo
inteiro, dizer muito mais que um líquido. Calado lhe mostrou que a vida começa
e acaba onde os olhos querem.
14.1.12
Consentimento
Chegou
cedo. Tinha nas mãos a dureza. Depois de tudo o que fez, agarrou-se com força
ao que não disse e dormiu. Quando soube que tinha de fugir,
deitou-se com o desejo todo na ponta dos dedos. Depois usou-se e usou todo o
espaço para consentir.
13.1.12
12.1.12
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