Depois veio a inércia peluda e feia
que me deixou deitada em cima de nada. Depois vieram os olhos postos nos
quadros vazios. Depois de muitos dias com o tempo todo no corpo vieram as
palavras feias e, por isso, calei-me.
1.4.12
22.3.12
21.3.12
Coisas que me inquietam (37)
Palavras acabadas em “inho” e “inha”
provocam-me ataques de asma alérgica e levam-me a um duche de duas horas e meia
com sais de banho e gel para peles sensíveis.
E agora vou-me embora que estou “cansadinha”
de ouvir dizer “obrigadinha”.
20.3.12
Estrear a coragem
19.3.12
18.3.12
E não chove
![]() | |
| Howard Hodgkin |
E não chove. E o clima empena os
dedos e as ideias não escorrem. Estou pequena, como se as
árvores estivessem acima da minha consciência. Estou pequena como o tempo que
não puxa a água de que preciso para me molhar inteira. Gente crescida me avisa
de que, um dia, poderei ficar assim. Não quero crescer porque não gosto. Há
processos de crescimento que nego e não procuro, são processos estranhos à
minha natureza. Continuo pequena, ao pé das árvores que crescem porque sim. Eu
não cresço. Caminhar contra a natureza é ir de encontro a uma parede. E não
chove.
29.2.12
Tempo seco
![]() |
| Vik Muniz (Ava Gardner) |
Eu sei que
ando numa preguiça sem tamanho. Vim aqui dizer isso. Já se sabia. As palavras
estão arrumadas à espera da chuva. Têm estado secas. São precisas paragens para
dizer coisas que ninguém ouve e escrever textos que ninguém lê. Quem escreve
com a preguiça em cima diz asneiras, hábito meu, eu sei. Mas agora é descanso.
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