Depois é a preguiça do corpo que se levanta devagar, o entorpecimento
e tudo o que deixou os sentidos parados. Depois das luzes regressarem ao lugar
de onde não deviam ter saído, os pensamentos demoram a ocupar o lugar que têm
por direito. No decorrer do marasmo que se instalou, vêm os remorsos pelo que não se produziu. Pior ter morrido.
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5.1.14
4.1.14
Luzes fora das gavetas
As épocas transformam as atitudes. São períodos de tempo que
me desconcertam. As épocas têm poder e isso irrita-me. Como se o tempo, dentro
da consciência, fizesse saltar o que estava quieto, desorganizar o que estava
arrumado. Gosto de arrumações, não gosto de épocas que põem tudo fora do lugar.
As luzes saem das gavetas, os bolos ingerem-nos e os papéis devoram-nos. As
épocas tiram-me a rotina e isso desalinha-me o corpo. Fico doente dos olhos e
os braços caem perdidos, sem ter onde pousar. Fico turva de sentimentos e as
pernas prendem passos que se querem compridos. As épocas transformam as
atitudes e isso põe-me doida de espanto e espera. Vou aprender a viver épocas,
antes que elas me levem aos abismos profundos da pouca lucidez.
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| Jackson Pollock |
21.12.13
25.7.13
31.12.12
Bons desejos
Boa música, boas companhias, bons vinhos,
forte saúde, doces encontros, paz redonda e ano inteiro de
contentamento. Feliz 2013 para todos!
24.12.12
21.12.12
Natal Contente
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| Pollock |
Difícil escrever sobre os
bolos que se comem, os temperos que se põem, o papel dos rebuçados, a canela do
arroz-doce, o açúcar das filhós, os sapatos de ir à missa, os casacos de sair à
noite, as luzes que piscam, os chocolates que derretem, a lareira que crepita e
as vozes que se ouvem. Difícil escrever sobre as datas marcadas porque, por
serem marcadas, não permitem improviso. Difícil dizer por palavras não gastas,
aquilo que as gastas já disseram.
20.12.12
3.12.12
Natal de abraços
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| Foto minha |
O Natal este ano pode ser
bem mais frio, frio por dentro dos desejos. As esperanças arrefecem e os portugueses
contentam-se com o que lhes é permitido adquirir, pouco mais que um saco
ligeiro de presentes adiados. As lojas recheiam prateleiras que vão ficar com
quase tudo, porque as parcas carteiras restam no fundo de malas antigas, as que
se compraram com o contentamento que fugiu.
O Pai Natal continua a abrilhantar
a época, coitado, está sempre velho e com o cansaço herdado das desilusões
acumuladas ao longo de décadas. Que fique o sentimento da partilha, da
solidariedade, do convívio familiar que ultrapassa e se eleva para longe das
compras impossíveis. Que reste o espírito, a atitude e a vontade de festejar
perto dos que precisam do calor de um abraço, livre de sacos e laços.
11.8.12
O bom-dia das gaivotas
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| Foto minha |
Era uma vez
uma mulher que queria ter férias. Pegou na cidade onde vivia e foi vivê-la.
Descobriu todos os sentires e fez dos sabores, lugar de elevação. Os dias foram
bons, como todas as noites estendidas debaixo da lua. Depois partiu e foi
sentir para mais longe, porque lhe fazia falta a água no olhar e o fresco nos
pés. Agarrou nas pernas e andou até onde as gaivotas dizem Bom-Dia.
25.4.12
1.1.12
Dia parado
31.12.11
24.12.11
23.12.11
Lugar do Natal
22.12.11
Dúvidas
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| Andrew Wyeth |
Era uma vez uma menina que nunca tinha recebido
presente de Natal. Não se portava bem. Depois de explicar ao menino
Jesus que o seu comportamento se devia a necessidades educativas especiais, o
menino concedeu-lhe provas de recuperação e adaptações várias. Deu-lhe
oportunidades, deu-lhe tempo de reflexão e deu-lhe permissão para consultar a
biblioteca do Céu. Mas a menina continuou a faltar às obrigações. O menino
Jesus zangou-se e enviou-lhe pelo correio um plano: nunca faltar aos compromissos assumidos. A menina indignou-se e
perguntou: o que são compromissos?
7.12.11
Pele
2.12.11
Vamos lá ver
1.12.11
Mês de Dezembro
Começa a azáfama, a preocupação, a ocupação, a corrida, o desejo, a frustração, o cansaço, as pessoas, a família, os amigos, os papéis, os laços, a música, a lareira, os pés doridos e a barriga cheia demais.
9.3.11
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