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5.1.14

Luzes regressam às gavetas

Depois é a preguiça do corpo que se levanta devagar, o entorpecimento e tudo o que deixou os sentidos parados. Depois das luzes regressarem ao lugar de onde não deviam ter saído, os pensamentos demoram a ocupar o lugar que têm por direito. No decorrer do marasmo que se instalou, vêm os remorsos pelo que não se produziu. Pior ter morrido.

4.1.14

Luzes fora das gavetas

As épocas transformam as atitudes. São períodos de tempo que me desconcertam. As épocas têm poder e isso irrita-me. Como se o tempo, dentro da consciência, fizesse saltar o que estava quieto, desorganizar o que estava arrumado. Gosto de arrumações, não gosto de épocas que põem tudo fora do lugar. As luzes saem das gavetas, os bolos ingerem-nos e os papéis devoram-nos. As épocas tiram-me a rotina e isso desalinha-me o corpo. Fico doente dos olhos e os braços caem perdidos, sem ter onde pousar. Fico turva de sentimentos e as pernas prendem passos que se querem compridos. As épocas transformam as atitudes e isso põe-me doida de espanto e espera. Vou aprender a viver épocas, antes que elas me levem aos abismos profundos da pouca lucidez.

Jackson Pollock

31.12.12

Bons desejos

Boa música, boas companhias, bons vinhos, forte saúde, doces encontros, paz redonda e ano inteiro de contentamento. Feliz 2013 para todos!


21.12.12

Natal Contente

Pollock
















Difícil escrever sobre os bolos que se comem, os temperos que se põem, o papel dos rebuçados, a canela do arroz-doce, o açúcar das filhós, os sapatos de ir à missa, os casacos de sair à noite, as luzes que piscam, os chocolates que derretem, a lareira que crepita e as vozes que se ouvem. Difícil escrever sobre as datas marcadas porque, por serem marcadas, não permitem improviso. Difícil dizer por palavras não gastas, aquilo que as gastas já disseram.

3.12.12

Natal de abraços

Foto minha















O Natal este ano pode ser bem mais frio, frio por dentro dos desejos. As esperanças arrefecem e os portugueses contentam-se com o que lhes é permitido adquirir, pouco mais que um saco ligeiro de presentes adiados. As lojas recheiam prateleiras que vão ficar com quase tudo, porque as parcas carteiras restam no fundo de malas antigas, as que se compraram com o contentamento que fugiu. 

O Pai Natal continua a abrilhantar a época, coitado, está sempre velho e com o cansaço herdado das desilusões acumuladas ao longo de décadas. Que fique o sentimento da partilha, da solidariedade, do convívio familiar que ultrapassa e se eleva para longe das compras impossíveis. Que reste o espírito, a atitude e a vontade de festejar perto dos que precisam do calor de um abraço, livre de sacos e laços.

11.8.12

O bom-dia das gaivotas

Foto minha















Era uma vez uma mulher que queria ter férias. Pegou na cidade onde vivia e foi vivê-la. Descobriu todos os sentires e fez dos sabores, lugar de elevação. Os dias foram bons, como todas as noites estendidas debaixo da lua. Depois partiu e foi sentir para mais longe, porque lhe fazia falta a água no olhar e o fresco nos pés. Agarrou nas pernas e andou até onde as gaivotas dizem Bom-Dia.

25.4.12

Liberdade

Aquela força que acontece quando os muros desaparecem e os limites ficam na consciência.

1.1.12

Dia parado

Howard Hodgkin
















Depois de tantas festas, o repouso parece-me ser o lugar perfeito para os braços. As pernas mantêm um ligeiro andamento. A cabeça acompanha o olhar. Toda a existência em cima de um dia parado.

23.12.11

Lugar do Natal

Foto minha




















Vou para o lugar das lareiras acesas, dos laços dourados, dos colos redondos e das flores contentes. 

22.12.11

Dúvidas

Andrew Wyeth














Era uma vez uma menina que nunca tinha recebido presente de Natal. Não se portava bem. Depois de explicar ao menino Jesus que o seu comportamento se devia a necessidades educativas especiais, o menino concedeu-lhe provas de recuperação e adaptações várias. Deu-lhe oportunidades, deu-lhe tempo de reflexão e deu-lhe permissão para consultar a biblioteca do Céu. Mas a menina continuou a faltar às obrigações. O menino Jesus zangou-se e enviou-lhe pelo correio um plano: nunca faltar aos compromissos assumidos. A menina indignou-se e perguntou: o que são compromissos?

7.12.11

Pele

Morris Louis





















Os dias de Dezembro são pequenos, como pequenos são os passos de quem corre para as lojas vazias à procura de uma pele que nem conhece. 

2.12.11

Vamos lá ver

Alberto Burri




















Vamos lá perceber se Dezembro compensa. Mais presentes para colocar no armário ou mais vontade de estar presente? Mais laços ou mais beijos e abraços? Vamos lá ver se gentes se consciencializam que crise pode significar oportunidade.

1.12.11

Mês de Dezembro

Começa a azáfama, a preocupação, a ocupação, a corrida, o desejo, a frustração, o cansaço, as pessoas, a família, os amigos, os papéis, os laços, a música, a lareira, os pés doridos e a barriga cheia demais.