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9.11.11

Volume Insensato

Foto Sebastião Salgado















“Pensa também que quanto mais volumoso for o corpo mais entravada e menos ágil se torna a alma. Por isso mesmo, limita quanto puderes o volume do teu corpo e dá o máximo espaço à tua alma! Vários inconvenientes se oferecem a quem se preocupa em excesso com o físico: por um lado o esforço exigido pelos próprios exercícios tira-nos o fôlego e deixa-nos incapazes de atenção e de aplicação a um trabalho intelectual intenso; por outro, o excesso de alimentos limita-nos a inteligência.”

Cartas a Lucílio, Séneca

8.11.11

Refúgio

Foto Sebastião Salgado














“Refugia-te dentro de ti próprio, em especial quando fores forçado a estar no meio da multidão. É bom que te tornes diferente da maioria, desde que possas refugiar-te com segurança dentro de ti mesmo. Repara no comum das pessoas: todas teriam mais proveito na companhia de alguém que não fossem elas próprias.”
Cartas a Lucílio, Séneca

23.9.11

VERDADE ACIMA

Este fim-de-semana vou ocupar-me da verdade dos factos, ou seja, dos factos que são verdade, isto é, da verdade que se retira dos factos, quer dizer, dos factos que também escondem verdades. 
Este fim-de-semana vou ocupar-me da verdade. Acima dos factos. 

P.S. A Etelvina, está a adaptar-se ao novo emprego para poder contar coisas.

22.9.11

ÚLTIMO PASSO

Quando uma pessoa se torna testemunha perfeita do corpo, da mente e da emoção, não lhe resta outra coisa senão esperar. A recompensa acontece por si própria.

21.9.11

MAIS UM PASSO

3º Passo - Observação das emoções, dos sentimentos e dos estados de espírito. Observe sem julgar.

20.9.11

OUTRO PASSO


2º Passo - Observação da mente. Se você for bem sucedido na observação do corpo, em princípio não encontrará dificuldades nesta fase.

13.3.11

“Quando muitos te cobrirem de louvores, verifica se ainda tens motivo de agrado ante ti próprio (…). Os teus autênticos bens são apenas do foro íntimo.”
Séneca; Cartas a Lucílio

12.3.11

“Ninguém nasce rico, no momento de vir à luz temos de contentar-nos com uma fralda e um pouco de leite: e é a partir de tais começos que chegamos a pensar que um reino é estreito para nós!...”
Séneca; Cartas a Lucílio

11.3.11

"O que preferes tu? Uma indigência que te sacia ou uma abundância que te deixa esfomeado?"
Séneca; Cartas a Lucílio

6.3.11

VIDA AGRADÁVEL

“Se queres ter uma vida agradável deixa de preocupar-te com ela! Nenhum objecto dá bem-estar ao seu possuidor senão quando este está preparado para ficar sem ele; e nenhuma coisa mais facilmente podemos perder do que aquela que é irrecuperável depois de perdida”.
 Séneca; Cartas a Lucílio

14.7.10

"ILUSÃO ÓPTICA DA CONSCIÊNCIA"


Albert Einstein lembrou:

O ser humano é uma parte de um todo a que chamamos “universo”, limitado no tempo e no espaço. Vê-se a si mesmo, aos seus pensamentos e emoções como estando separado do resto, numa espécie de ilusão óptica da consciência. Esta ilusão é um tipo de prisão que nos restringe aos nossos desejos pessoais e que limita o afecto a umas quantas das pessoas que nos rodeiam. A nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos dessa prisão, alargando os nossos círculos de compaixão de modo a abraçarmos todas as criaturas vivas e o conjunto da natureza, com toda a sua beleza.

30.1.10

PROUST NO SOFÁ CÁ DE CASA



"O amor é uma doença incurável". "No amor há sofrimento permanente". "Aqueles que amam e aqueles que são felizes não são as mesmas pessoas". O pessimismo romântico de Proust baseou-se, pelo menos em parte, na combinação de uma necessidade intensa de amor e uma falta de jeito tragicómica ao tentar obtê-lo. (Pag.72)

18.1.10

IRA


Paul Klee

No âmago de cada frustração, encontramos sempre uma estrutura básica: o choque de um desejo com uma realidade inflexível.

Séneca conhecia um homem rico, Védio Pólio, um amigo do imperador Augusto, que tinha um escravo que numa festa deixou cair um tabuleiro com taças de cristal. Védio detestava o som do vidro a partir-se e ficou tão furioso que ordenou que o escravo fosse atirado a um tanque de lampreias.
Védio Pólio estava furioso por uma razão identificável: porque acreditava num mundo em que os copos não se partem nas festas.

Gritamos quando não conseguimos encontrar o comando da televisão, por causa de uma crença implícita num mundo em que os comandos não se perdem.

A reconciliação com as inevitáveis imperfeições da existência é um caminho.

16.1.10

PERGUNTA CORRECTA


Helen Frankenthaler

A pergunta correcta é a condição necessária para uma resposta aceitável. Uma pergunta bem feita desempenha o seu papel e, às vezes, nem precisa de resposta.
“Duas mãos que batem uma na outra produzem um barulho. Qual o barulho de uma só mão?”.

26.11.09

SABEDORIA BUDISTA


Helen Frankenthaler

"De acordo com a sabedoria de Buda, podemos na verdade utilizar as nossas vidas para nos prepararmos para a morte, sem precisarmos de esperar pelo falecimento doloroso de alguém que se encontre perto de nós, ou pelo choque de uma doença terminal para começarmos a olhar para as nossas próprias vidas."

O Livro Tibetano da Vida e da Morte; Sogyal Rinpoche

14.9.09

QUIMERAS SIM, SEXO NÃO


Paul Klee

Como um camponês que se dedica ao seu trabalho o ano inteiro, Kant não tinha férias. Criado no seio de uma família numerosa e modesta, o seu estatuto de intelectual era já um triunfo. Queriam que ele viajasse e que se casasse. A sexualidade de Kant intrigava os seus contemporâneos. Face à pergunta: “terá alguma criada de quarto gozado dos favores do filósofo?” Kant nem se dignou responder.
Melancólico e alucinado, com um regime de vida obsessivo e patológico, afirmava: “deixem-me com as minhas quimeras, são elas que garantem a minha sobrevivência”.
Sabe-se do seu celibato. Nunca ninguém entendeu se ele manteve a castidade. A certeza é a de que conhecia a sensualidade porque apreciava comida.

14.5.09

ROUBAR MATÉRIA AO MUNDO


Cargaleiro


A estética como tema. Catorze alunos presentes. Carteiras pretas. Sala nova. Computador. Internet. Quadro interactivo. Início da aula e a frase dita pela Catarina, depois do dedo no ar: o mundo tem muitas coisas feias, talvez os artistas tenham surgido para lhe dar beleza.

Eu tinha o livro do Gonçalo M. Tavares em cima da mesa e o plano era tudo menos o texto escrito no quadro:
“No início o mundo era repleto de matéria. Matéria compacta, espessa. A violência – ou seja – a criação – passou por retirar fatias. A escultura - e todo o ser vivo é uma escultura – não é assunto de acrescentar ou acumular, mas sim assunto de retirar, esburacar. Qualquer criador não traz matéria para acrescentar ao mundo, rouba-a, faz as fendas certas, inventa as ausências intensas, percebe onde os intervalos podem ser mais profundos.” (Gonçalo M. Tavares; A perna esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil.)

Foi pedido um comentário. Olhem para o que está escrito, discutam a ideia, clarifiquem-na e escrevam. É precisa a solitária reflexão sobre a questão da matéria roubada ao mundo, as fatias que se retiram à pedra, ao barro, à madeira. O roubo que se faz porque a beleza o exige ou porque é preciso expressar qualquer coisa. A violência exercida no acto de criar, a necessidade da matéria do mundo para que a criação aconteça e o acrescentar, ou não, alguma coisa a um mundo de matéria espessa.

À minha frente, a Inês acaba primeiro e pergunta-me:
- Posso ler? Faço-lhe sinal para que espere pelos colegas.
O tempo decorre em algum silêncio interrompido pelo João: esculpir é uma coisa, moldar é outra. Mesmo quando se molda já se roubou matéria ao mundo.
A Cláudia intervém: é como se os artistas não roubassem propriamente mas dessem ao mundo uma forma nova, uma reconstrução onde os desperdícios são postos fora de jogo.

A Catarina leu o texto em voz alta: a preocupação centra-se na matéria humana, não na matéria do mundo. A primeira também é roubada, quando a dignidade é posta em causa, por exemplo.

A Ana pede-me para ler o que fez: somos todos escultores de um mundo que transformamos, de certa forma os pássaros, não sendo artistas, também roubam alimento ao mundo sem que haja criação artística.

Ao canto, de cabelo a tapar um olhar atento, o Frederico não se mexe: não executo o trabalho porque não tenho material de escrita – o costume!

A Marta ri alto e pensa da mesma maneira, não teve tempo para acabar, foi com o caderno debaixo do braço e a mala na mão. Em jeito de “tia” por crescer disse-me:
- Trago na próxima aula, professora, prometo.

Saíram. Contentes. Despediram-se afavelmente, como todos os dias.
Vou deixá-los, vou-me embora porque quero, porque preciso, porque a vida é assim. Tenho pena. Pelo Alim que ri sincero, Pelo Fred que não executa quase nada mas pensa bem, Pelo Miguel que fala baixinho, pelo Rodrigo que é rapaz feliz, pelo Paulo de atacadores diferentes e estilo descontraído. Já tenho saudades de todas as Anas, da Patrícia que gosta de falar para o lado e da Cátia que dá beijinhos à chegada.

Tenho saudades porque, poucas turmas nos entram no coração. Gente boa que, para lá de um trabalho sério, desenvolve afectos. Com eles trabalha-se melhor. Todos sabemos disso.

13.4.09

O TEMPO QUE NÃO EXISTE


Lucien Freud

O passado, tempo que já não existe, pega-se a nós em jeito de nostalgia, remorso ou culpa. O futuro pega-se em jeito de esperança por um tempo que ainda não aconteceu. Como dizia Séneca, "enquanto esperamos viver a vida passa por nós."
O peso do passado e a miragem do futuro, os dois grandes males da existência.

19.3.09

DOR


Goya

A dor é um sinal inequívoco de que alguma coisa está errada. Dependendo da força de espírito da vítima, a dor poderá provocar um bom ou um mau resultado.