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26.1.14

Dobras e Gritos (54)

"As coisas que nos assustam são em maior número do que as que efectivamente fazem mal, e afligimo-nos mais pelas aparências do que pelos factos reais."

Séneca; Cartas a Lucílio

20.12.13

Dobras e gritos (53)

Sei sentir-me parada, com os dedos postos em outras tarefas. A escrita tem ficado fora de mim, como se algum degrau me impedisse de continuar, como se uma corrida ainda não tivesse começado. É preciso tempo para destravar o que emperra. A vida às vezes emperra. Vou buscar óleo.

7.6.13

Contágios que se impõem

Quando tiveres à tua volta pessoas empenhadas em inventar desgraças que não existem e imaginar tragédias que ainda não aconteceram, pensa bem, não nas palavras que ouves mas naquilo que tu próprio sentes. Em último caso foge para longe e interroga-te: Qual a razão por que se lamentam? O que me aflige é o mal real, não o mal de opinião fundamentado em receios que se inventam. E quanto aos contágios que se impõem, lamento mas não estou cá.

1.10.12

Disse

Lúcido é o que fica sozinho e cansado no meio de uma multidão entupida de cataclismos mentais.

16.9.12

Vento que vem de dentro

E agora vou ali respirar, como se faz quando se está calado por força de circunstâncias. Respirar bem alto, para que muitos oiçam o vento que vem de dentro e sintam o grito que não se deu. Vou ali respirar para não esquecer que estou viva.

2.9.12

Queixa que não é queixa


Ainda não me apetece. Porque a vontade ficou debaixo das ondas com espuma branca. Ainda percebo o som das gaivotas enquanto, na cama, tentei dormir o sono dos que estão longe. Ficar perto de quem nos faz coisas boas é bom. Amanhã é dia de coisas más, porque más são as coisas que vivemos ao contrário da vontade. As palavras podem soar a injustiça ou cheirar a arrogância. Temos vontades trocadas e, quase sempre, o que aos outros acontece supera o que a nós calha. Sempre assim, porque sempre insatisfeitos e estupidamente queixosos.

2.5.12

Cheia de raiva



Não me vou embora sem perceber o grito e a dobra que o enrola. Depois, sento-me a olhar para o dia que não volta e desembrulho a vida cheia de raiva.