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19.10.12

Teu dia

Teu dia, teu silêncio, teu sorriso. Não te posso abraçar mas deixo a saudade aqui, no lugar que visitavas.

23.5.12

Bom Sonho


Hoje sonhei contigo. Estavas contente e lembraste a noite em que não pude ir contigo à homenagem desta grande senhora que canta. Hoje sonhei com o teu sorriso e com o teu poema.

19.10.10

O DIA DO SILÊNCIO



Terias, hoje, o telemóvel desligado. Farias do dia um momento de clausura.
Porque ainda me lembro de todas as coisas que me ensinaste, porque ainda sinto o sorriso atrás da porta, porque estás presente em cada gargalhada ou prato de sardinhas assadas em esplanada quente.
Resta a saudade, o desejo despido e a esperança de te encontrar um dia. Com toda a certeza.

8.8.10

SAUDADES DOS TEUS OLHOS

Foste embora mas estás. Sempre. Como quando um mestre, um pai, um amigo, vai dar um passeio longo e espera por nós. Lá, onde descansas com o sorriso e os olhos postos num reencontro contente.

31.3.10

PERTO DA HISTÓRIA


A rua só existe porque eu a vejo. As casinhas estão desenhadas porque as percebo. A menina no banco do jardim não tem olhos para me ver e alguém está sentado a tocar perto da árvore. Não me apetece falar do anjo que corre para fora do desenho.
O chão é aos quadrados porque, os quadrados no chão são sinal de imaginação simétrica. Um dia vou contar a história toda. Agora está perto. Depois de uma curta viagem debaixo do braço.

21.3.10

O TEU ESPAÇO NO MEU ESPAÇO


Lembro o jantar, a mesa e o vinho tinto. Lembro o salmão fumado e as velas do Natal. Lembro a vista da janela e a contemplação de um quadro que me fazia parar para olhar. Agora é meu. Tenho um pouco do teu espaço no meu espaço.

20.3.10

APRENDI


Aprendi que os problemas dos outros não são os meus problemas. Aprendi que a vida dos outros não é a minha vida. Aprendi que o corpo dos outros não é o meu corpo. Aprendi que os pensamentos dos outros não são os meus pensamentos. Aprendi que a consciência dos outros não é a minha consciência. Aprendi que os filhos dos outros não são os meus filhos. Aprendi que o amor dos outros não é o amor que eu sinto. Os que por mim passam sem que o rasto permaneça, são outros que não eu. Esses outros, não podem mexer no que sou.
Há outros. Os que ficam. Os que fazem de mim o que vou sendo.

19.3.10

PORQUE SIM



Era teu. Isso é motivo para estar aqui, num blogue que visitavas porque sim.

18.3.10

ATRÁS DA PORTA


Quando a porta se fechava, o quadro estava lá, em cima de uma cómoda antiga com muitas coisas vividas. Um dia disse-me:
- É isto que vejo do palco. Gostas?

29.12.09

A VALSINHA E AS SAUDADES


Por esta altura, entre as filhós do Natal e o Champanhe do Ano Novo, íamos sempre jantar fora. Perto um do outro, saudades do Brasil e dos amigos, dizias: "Os Brasileiros são Portugueses à solta". Depois erguias o copo de vinho tinto e punhas o sorriso infantil de sempre. Saudades, muitas saudades. Por tua causa, este blogue comemora dois anos de existência amanhã. Obrigada, mais uma vez.



Chico Buarque. Valsinha.

23.11.09

MAXIME




Hoje vou ao lugar das memórias. Ali perto do Parque Mayer, onde foste profissional atento, onde viveste acima do tempo e do espaço.

19.10.09

COMO MERECES


Tenho saudades tuas todos os dias. Vou lá, ao Museu do Teatro, ver se te encontro mais perto. Porque hoje era o dia dos teus anos. Almoço e café na esplanada, como mereces.

13.9.09

ETERNAS MELODIAS



Há melodias que nunca foram início de programa. Ficam aqui. Para lá do tempo, há a permanência no espaço, seja ele qual for.

12.9.09

"UM VAZIO NO TEMPO"


"Numa das últimas vezes que estive na Expo em Lisboa, descobri estranhamente, uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que tinha descoberto, que aquele espaço se tratava de um templo grandioso.
Quase como um espanto, senti uma sensação que nunca sentira antes e, de repente, uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava, só poderia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo amolecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.
Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta, corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.
Aquela virgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar, e me deu a esperança, que num tempo, que seja breve, me volte a acontecer.
Que esse meu Deus assim queira."

Raúl Solnado

CEDO E DEVAGAR


Sairá de casa cedo. Para perto de quem amou com a alma cheia de riso e o corpo parado às palavras e às mãos. De quem sabia entregar a sabedoria inteira. A paz ficará com quem a disse. Sempre.

7.9.09

O QUE É QUE EU FAÇO COM A SAUDADE


O sentimento que rói cá dentro é muitas vezes sentido como provisório, uma espécie de bicho que entra para nos atormentar as entranhas. Vagueia por onde quer, passeia pela alma e corrói o corpo devagar. A saudade de um cheiro, de uma casa, de uma cama, de um lugar bonito, de um objecto, de uma viagem. A saudade do que se vive e não mais se encontra. Os lugares podem ser revisitados, mesmo quando o jardim já se transformou em prédio. Podem refazer-se viagens e a procura de cheiros de infância é possível, quando queremos encontrá-los lá, onde há muitos anos deixamos cair a bola pela ravina ou a boneca se estragou nas escadas estreitas de um corpo pequeno debruçado na sensação de brancura.



Quando a saudade é infinita, o bicho deambulará na alma até que o corpo desapareça. A saudade definitiva, fatal, irreversível. A saudade dos que morrem, daqueles a quem não podemos voltar a telefonar para dizer que estamos bem, os que não podemos voltar a abraçar, oferecer bombons para o café depois do almoço. A saudade incontornável, fora do tempo, de controlo e de escolha, para lá do que podemos revisitar, rever, voltar a ir, a estúpida sensação de impotência, o imbecil vazio que nos enche de raiva e de grito.


Já não posso beijar, já ninguém atende o telefone, já não posso rir e dar as mãos, dizer que gosto muito, enviar e-mails, conversar, tirar uma foto à socapa, enquanto arrumas os talheres depois da refeição. Já não posso vestir a tua camisa de flanela quando está frio, ver-te abrir a porta com um sorriso, pedir-te opinião, ajudar-te a procurar os óculos no escuro do cinema.


Agora a saudade é a sério, sem transitoriedade, vivida dentro, com o bicho a roer as entranhas de cada vez que lembro tudo o que eras. Agora já não existem mãos para agarrar. Os lugares estão lá, como quando os ocupávamos. Os cheiros recordam-se em tempo e espaço semelhantes aos que tínhamos. Os objectos perduram, enquanto nós quisermos olhá-los.


Os que morrem só voltam em momentos de riso e de lágrimas, como que a lembrar-nos que, apesar da ausência, permanecem numa saudade que ainda não aprendemos a ter como eterna companheira.


Talvez essa coisa triste que aperta a alma contra as costas seja aquilo que mandam os ausentes para nos ensinarem a lembrança.

4.9.09

DOBRAS E GRITOS (36)


Quando os dias começam a restaurar rotinas perdidas, vem a saudade de encontrar a casa que não voltarei a ver.

17.8.09

VAZIO DE AGOSTO


"Deus nunca nos pisca o olho para nos avisar quando devemos abandonar o palco."
Raúl Solnado

Acabou o riso com corpo, nunca o que guardo na alma, a que muitas vezes desenhaste com gestos.
Muito Obrigada, Raúl.


Mikkel Solnado

28.5.09

O ACTOR ENTRA NUM PALCO DIFERENTE



Tinha os olhos postos na plateia que o aguardava para conversa que não se ensaiou. Eram poucas as pessoas que, reunidas na sala da escola, esperavam as palavras e os gestos de quem soube viver todos os dias na loucura da dádiva e do espanto. Sentou-se. Reparou nos olhos que o fixavam e sorriu. A conversa decorreu num encontro intimista.
Em palco imaginado, a cadeira do actor serviu-lhe de suporte, como se o corpo estivesse pronto para momentos que não eram espectáculo. As palavras são lindas, disse, é preciso darmos atenção à forma como as usamos, ao seu significado na frase e na vida.
O silêncio foi escolhido por quem precisava de ouvir, sem distracções. O actor falou do teatro, da entrega, do amor, da disciplina, do rigor e do crescimento de quem se dedica a um trabalho diferente. Personagens que se vivem, luzes que se acendem, panos que caem e textos na memória. É preciso falar alto, claro e não deixar cair os finais, repetiu aos aprendizes que continuavam no silêncio da expectativa e do entusiasmo.
A pouco e pouco, as vozes de quem o olhava, foram tendo eco nas perguntas, nas inquietações de gente nova capaz de abraçar profissão futura com as dúvidas próprias de quem viveu pouco tempo. O actor respondeu, com o mesmo amor com que sorriu a todos quantos o interpelaram. Alunos inquietos colocaram palavras certas em questões com sentido: a família, a profissão, o texto, as pessoas que não somos nós, o carácter, os limites, a loucura e a exposição, toda a exposição que, de um corpo, surge na voz: alta, clara e sem deixar cair os finais.
Foi um bocado de tarde diferente. No lugar do conhecimento, momentos de sabedoria. Todos entenderam a verdade nas palavras bonitas, distribuídas uma a uma, por quem esteve e sentiu o prazer de uma conversa recheada. Obrigada, Raul.