25.10.09

DOCE IGNORÂNCIA


(Foto de Robert Doisneau)

Se eu não soubesse que ia morrer, se não houvesse contagem de tempo e se todos os dias fossem surpresa, hoje não saberia a minha idade, não teria conhecimento de que o processo de envelhecimento ia acontecer nem tinha a noção dos anos. Os dias sucediam-se às noites. Apenas. A vida poderia ser um perpétuo movimento marcado por instintos de sobrevivência e prazer. As pessoas viveriam em outro mundo, sem tempo contado, aceitando as rugas e os cabelos brancos com a doce indignação de uma ignorância distribuída pelo corpo todo.

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