30.3.11
MARIA
20.3.11
COISAS QUE ME INQUIETAM (32)
19.3.11
TERRA FIRME
18.3.11
A CASA DE TERESA
17.3.11
16.3.11
15.3.11
14.3.11
13.3.11
12.3.11
11.3.11
10.3.11
PIRILAU
9.3.11
8.3.11
7.3.11
O TEMPO DA IDADE
6.3.11
VIDA AGRADÁVEL
5.3.11
A VIDA DAS HISTÓRIAS
4.3.11
ABISMOS INSANOS
3.3.11
CANDEEIRO VELHO
2.3.11
DEIXAR SER
1.3.11
CONTA PAGA
28.2.11
COISAS QUE ME INQUIETAM (31)
25.2.11
VIAGEM
24.2.11
23.2.11
OUTRA CASA
22.2.11
GRITOS EM MOLDURAS
21.2.11
POUCA VIDA
19.2.11
18.2.11
CAMINHO
17.2.11
ANDAR LENTO
16.2.11
FORA DE MODA
15.2.11
14.2.11
MÁ MEMÓRIA
COM AS MÃOS POSTAS NA BATINA
12.2.11
CARTA 1
Séneca; Cartas a Lucílio
10.2.11
COISAS MOLHADAS
9.2.11
SENHOR DE PLÁSTICO
3.2.11
TEMPERATURA
25.1.11
PEDRAS PESADAS
A mochila está pesada. Os pés estão cansados. As palavras estão no fundo, debaixo das pedras duras e frias.
23.1.11
19.1.11
NADA GIRA
Banco ocupado, roda que não gira, bicicleta que não anda, pés que não pisam, ideias que não há, imagens que não surgem e uma preguiça igual à do nevoeiro que já desapareceu mas do qual tenho saudades.
8.1.11
SEM PIPOCAS
Parece que há bons filmes para ver este fim-de-semana. Não consigo escrever e ver filmes ao mesmo tempo. Vou-me embora com o desejo da tela e do escuro. Sem pipocas.
7.1.11
DIAS DIFÍCEIS
5.1.11
O QUE IMPORTA
Gerir horas com sabedoria é como sentar a uma mesa de costas direitas. O esforço de cada músculo compara-se ao encanto de cada minuto mastigado com a inteligência de um tempo vivido ao minuto. O orçamento emagrece por causa de senhores mal intencionados e com passado sujo. Que fique a atitude de quem percebe que, vivendo com menos, se vive. É isso que importa.
3.1.11
2.1.11
SAUDADE DAS CONSOANTES MUDAS
Não sei como escrever em 2011. Custa-me tirar o ´c´ ao ator e o ´p´ à exceção. Preciso de tempo para me habituar porque tenho dúvidas e não consigo raciocinar sem consoantes mudas.
31.12.10
COISAS BOAS
30.12.10
29.12.10
COISAS QUE ME INQUIETAM (30)
A marca do tempo não está no calendário, vejo-a todos os dias como vinco que não se desfaz nem quando se grita. E a dobra persiste. É a vida? Não, sou eu.
27.12.10
"A PROMISCUIDADE TIRA A VONTADE"
"O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.
Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade. "
Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa.
26.12.10
VEJO-TE
Daqui vejo céu e árvore e tu. Hoje é um dia de Dezembro. Há uma festa. Estás depois do que eu olho e está frio.
Fumo longo. O encanto de teres sido. Fumam-se coisas em cima de partes do tempo. Alegrias são postas aqui.
Vens com o fumo que inspiro. Ficas dentro porque és norte. A estrada existe e estou. É o entendimento do fumo que me engoliu. Em frente às palavras desenho-te. Envio. Estou como estou e é muito bom.
24.12.10
22.12.10
16.12.10
15.12.10
14.12.10
A MERCEARIA DO MEU PASSADO
13.12.10
A ESCOLA ESTÁ A MORRER
As ideias que se têm às três horas da manhã não entram na sala de aula no dia seguinte porque, disciplinas, programas e avaliações têm importância maior. A educação pública exerce enorme pressão sobre alunos e professores. É preciso que todos se conformem, que todos organizem o seu dia em unidades padronizadas de tempo e delimitadas pelo toque da campainha. À semelhança de uma unidade fabril, os operários picam o ponto ao som de um ruído agudo que percorre corredores e corações. Os exames são estandardizados, as aulas são iguais todos os dias, os alunos bocejam, os professores querem fugir para casa cedo e, aquela ínfima parte da humanidade espera que o tempo passe.
O sistema educativo precisa de ser transformado, os bons professores, que vêem a sua criatividade suprimida todos os dias, começam a abandonar o sistema. Interiormente, as aulas e a escola são motivo de enfado e cansaço. A uniformização da educação destrói qualquer sistema com múltiplas e ineficazes reformas. Enquanto os professores não forem livres para trabalhar, descobrindo os talentos e fomentando a imaginação, o tempo dispendido é inútil. Perguntemos a qualquer adolescente o que aprendeu nas mais diversas disciplinas de um currículo sobrecarregado de informação e não obteremos resposta satisfatória. Direccione-se a pergunta para aquilo que, na escola, mais lhes interessa e a resposta será rápida: nada do que se passa nas aulas é estimulante.
Os professores precisam de ensinar aquilo que os alunos precisam de aprender, aquilo que cada um deles tem dentro, o currículo que se enquadra na essência de um grupo de gente que se senta para ouvir, falar e agir. O verdadeiro poder desta abordagem passaria por uma profunda transformação de todo o sistema educativo, por um profundo questionamento do que se entende por inteligência e por uma urgente reflexão sobre a importância da criatividade. É preciso produzir algo de original, na escola e na vida. A produção de ideias originais e valiosas levou-nos, ao longo da história da música, da literatura, da pintura, à descoberta de génios que, com certeza, não começaram o seu trabalho criativo dentro de quatro paredes com muros altos e campainhas a tocar de hora a hora.
Enquanto a escola for um espaço fabril com carácter obrigatório, não existirá lugar para a criatividade. Enquanto os alunos forem para a escola sem entusiasmo e os professores abrirem a porta da sala de aula esperando o toque de saída, não existirá futuro. Enquanto os programas, desadequados da realidade, forem imposição sem critério, todo o sistema ruirá, porque não há inteligência que sobreviva a tanta mediocridade.
12.12.10
11.12.10
FILÓSOFOS DESAJEITADOS?
10.12.10
9.12.10
DOBRAS E GRITOS (50)
8.12.10
7.12.10
DOBRAS E GRITOS (48)
6.12.10
DOBRAS E GRITOS (47)
5.12.10
DOBRAS E GRITOS (46)
Nasci numa rua quase íngreme. Em Dezembro o sol escondia-se todos os dias. O meu quarto tinha uma cama de ferro e uma cómoda de madeira. Lembro-me que, em Dezembro, os lugares para as bonecas ficavam mais vazios, porque a esperança era maior e mais gorda.
4.12.10
DOBRAS E GRITOS (45)
3.12.10
O BUCHMANN, OS JOSÉS E OS ANTÓNIOS
DOBRAS E GRITOS (44)
2.12.10
DOBRAS E GRITOS (43)
1.12.10
DOBRAS E GRITOS (42)
30.11.10
NOTA
27.11.10
25.11.10
24.11.10
23.11.10
LIVROS GENIAIS

Paul Klee
“Há sons que saem dos actos de amor”. Bloom continua de Viagem, até à Índia. Eu continuo de boca aberta e respiração quase parada. As páginas são brancas e a capa que se esconde por baixo de um vermelho de sangue é de uma brancura irritante. Um senhor que escreve até aos limites do entendimento faz com que a inteligência rebente para dentro de um balde cheio de vontades. Não há nenhuma obra de Gonçalo M. Tavares que possa pôr-se na estante atrás da porta. Todas precisam de ocupar um lugar ao nível dos olhos e das mãos. É preciso comer palavras em dias espessos, porque há sons que saem de livros geniais.
22.11.10
ALÍNEA DA SABEDORIA
21.11.10
20.11.10
19.11.10
SER OUTRA (8)
Ser outra é, também, engolir a paisagem e sentir que toda a realidade se digere quando o corpo vive e a atenção faz cócegas na consciência.
18.11.10
SER OUTRA (7)
17.11.10
SER OUTRA (6)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Um dia, quando a minha experiência encontrar lugar, sou eu que vou responder, em frente a um espelho quadrado com moldura grossa. Um dia, quando eu experimentar a ser outra, vou chegar mais perto do espelho que escondi atrás da porta e colocá-lo mesmo em frente à vida.
16.11.10
SER OUTRA (5)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Viro-me para o lado esquerdo e digo tudo o que sinto, porque dizer o que penso faz-me deixar de sentir... e isso dói muito.
15.11.10
SER OUTRA (4)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Saio à rua na hora do sol nascente e levanto os braços ao céu. Grito a todos quantos me olham e fujo para debaixo das mesas. Depois, vêm buscar-me cedo, antes do sol-posto, para que vizinhos e amigos se despeçam com todas as mãos que têm.
14.11.10
SER OUTRA (3)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Fico em casa, fechada por dentro e tapada com uma manta vermelha. Vou buscar os óculos de sol para poder ver a claridade. Depois, adormeço no escuro, que é a claridade em dia de zanga.
13.11.10
SER OUTRA (2)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Experimentarei todos os prazeres, sem me preocupar com o que persiste, porque isso, fica tão dentro da caixa que não quero chegar lá.
12.11.10
SER OUTRA (1)
Um dia poderei experimentar a ser outra. Experimentarei todos os prazeres, sem me preocupar com o que acontece na parte de cima da realidade.
11.11.10
CASTANHAS
10.11.10
FALTA DE IMAGEM
9.11.10
8.11.10
ESPAÇOS

Fechou os olhos devagar. As pálpebras tocaram no fundo de si. Gemeu. Ficou quieta à espera de poder sentir tudo. O silêncio era imperativo. As mãos enrolaram todos os sentidos e o corpo curvou-se para dizer Sim. Ao mesmo tempo que a porta se fechou, os olhos abriram-se para o espaço que estava em cima da mesa. Pegou nos ombros e na cabeça e ergueu-se. O silêncio tinha deixado de existir.
7.11.10
6.11.10
5.11.10
BALEIA ABSURDA

Kurt Schitters
atingir em cheio o dia – qualquer que ele seja –
como se faz às baleias com um arpão.
Os dias têm um invólucro espesso,
uma armadura do material mais espesso que existe:
tudo aquilo de que não se sabe onde está o centro
está seguro.
Assim são os nossos dias que bem queríamos aniquilar
com um arpão. Baleia absurda, sem corpo,
o tempo."
Gonçalo M. Tavares; Uma Viagem à Índia. Canto I
4.11.10
MONÓLOGO FEITO DE BARRO
Debaixo desse tampo que não te tapa nem te protege, pareces um molde de barro, uma espécie de pessoa que se enrola na massa densa que não materializa coisa nenhuma. O tampo da mesa é duro, mas tu não. Tu és uma qualquer moldura que procura o quadro. Tu és uma pessoa que fugiu para debaixo de uma mesa.
3.11.10
PORQUE SIM
Os parágrafos sucederam-se com conteúdo e forma. Bonitos. O interlocutor foi plano. Luísa arrepiou-se, colocou a sensibilidade acima do entendimento e a beleza das palavras aconteceu, a troca de experiências foi realidade. Os dois existiram enquanto foi possível a existência a quatro mãos. Depois, ficaram duas mãos de um lado e duas mãos do outro.
Agora, enquanto escreve o passado, deseja um presente bonito para quem foi actor de uma história que resvalou no silêncio. E grita alto aos que a ouvem: as palavras não escritas são, muitas vezes, o desassossego, a respiração que se trava porque sim.


