Parece que temos a mania escandalosa de colocar pedrinhas nos sapatos alheios. Pena que não nos lembremos que, os que calçamos, também são susceptíveis.
17.1.08
16.1.08
INTUIÇÃO

(Pollock)
A intuição empurra-me para algumas palavras que puxo para fora dos quadros. Pollock achar-me-ia pretensiosa e tola, provavelmente. O propósito fica muito aquém do que os quadros merecem. Este lugar pessoal, surgido de um nada momentâneo, pretende ir em direcção à forma, a partir da forma. A procura de uma possibilidade de encontro entre o génio artístico da imagem e as palavras que, dela, retira uma aprendiz.
15.1.08
DEMASIADAS ESCOLHAS
14.1.08
GEMIDO

(Pollock)
As mãos que matam são as mãos que amam. Gemem os corpos de dor e prazer. O fogo e as lâminas em orgia. Como se o mundo se pudesse concentrar num instante de corpos que se consomem. Parece que a luxúria se alia à raiva de ter membros e boca e olhos que se cegam uns aos outros. Brincar com os corpos é perigoso. Há homens enrolados ao que não sabem. Há pessoas de corpo feito ao gemido. Porque o descanso ainda não possui existência.
DOBRAS E GRITOS (5)
Confesso contente que, a criação cuidada de um blog dirigido, começa a tornar-se arrebatadora.
12.1.08
ALMAS DISPOSTAS
11.1.08
ATRÁS DO VIDRO
Avistam-se, por trás do estilhaço, imagens de pessoas que estão nuas. Dobram esquinas estreitas em ruas escuras. Desprotegidas. Corpos em plena descompostura e alegre riso. Correm. O vidro não é perceptível do lado de fora. De dentro, continua a visão do riso desmedido que perpassa arestas finas de tempo gasto na estilha partida. Há marcas nos corpos dos que correm e nos olhos de quem vê. Marcas de riso muito solto que, com o vento, se retira. A nudez permanece longe, ausente de tudo o que se avista por detrás da falha que perdura.
10.1.08
VIVER COM ELEGÂNCIA
9.1.08
O REAL E O DESEJÁVEL

(Pollock)
A realidade não anda a reboque dos nossos desejos. Talvez não exista, em si mesma. Está fora de nós, tão longe quanto perto de poder ser uma interpretação. A realidade e o desejo nem sempre casam, nem sempre dançam, nem sempre cruzam. E quando o desejo encontra a geometria pedida a uma realidade esperada, talvez, a esse momento, chamemos felicidade. Não sei.
8.1.08
GRITO

(Pollock)
Grito quando o desassossego chegar. Grito alto quando me apetecer. Deixo o protesto ficar onde a alma não coube ou o corpo não quis. Deixo que reste o prazer de um grito em uma pequena morte. Fico em sossego com o grito que não pude dar. Porque há instantes onde o silêncio do grito também se ouve.
7.1.08
DOBRA

(Pollock)
Quando se dobra uma folha, fica o vinco, a marca de alguém que chegou ali. Quando se dobram palavras, ficam os sons da boca de quem as disse ou escreveu. Quando se dobram imagens, restam as perspectivas anunciadas de quem as olhou. E quando os dedos se dobram, fica a mão sozinha ou em outras. Como se um gesto nos pudesse fazer entender que, uma dobra é sempre uma marca que persiste, para lá do que se vincou, ali, na presença instantânea de uma qualquer existência.
DOBRAS E GRITOS (3)
Depois do mar em tumulto e de Chopin em quietude, chegar a Lisboa sem ter preenchido telas com cores, não foi experiência merecedora de desalento.
5.1.08
INCLINAÇÃO POÉTICA
4.1.08
CORPO QUE DANÇA

(Pollock)
É o corpo inteiro que dança. É a alma que encarna na medula, cheia de ser. É o bambolear inquietante do riso oferecido em gargalhadas soltas e breves. É a vida inteira de odor, as mãos que colam no suor de um corpo menos quieto. É o olhar pelo postigo postiço e seco pelo sol. É o passar dos minutos sem importância. É todo o corpo que dança. Depois ri.
3.1.08
DOBRAS E GRITOS (2)
(Pollock)
Regresso das festas programadas, aquelas por que alguns esperam e de que alguns fogem. Regresso à saborosa normalidade quotidiana. Nada como dias comuns, podemos apreciar o imprevisto. Sem expectativa.
Regresso das festas programadas, aquelas por que alguns esperam e de que alguns fogem. Regresso à saborosa normalidade quotidiana. Nada como dias comuns, podemos apreciar o imprevisto. Sem expectativa.
1 - JACKSON POLLOCK

O grande sonho de Pollock era ser pintor. Desde sempre esteve convencido de ser capaz de desempenhar com sucesso a profissão, apesar de ter consciência de que só seria possível concretizar o seu sonho se fosse viver para Nova Iorque.
Demoliu os limites impostos pelo cubismo, dando origem a um movimento artístico que ficou conhecido por Expressionismo Abstracto e que veio dar credibilidade à pintura americana do pós-guerra. A forma de pintar de Pollock ficou conhecida por "action painting".
O papel do inconsciente e dos sonhos na criação vão influenciar Pollock, que admira artistas como Picasso e Miró. Em 1939, Pollock começa a fazer psicanálise segundo o método do suíço Carl Jung, e o conceito de "inconsciente colectivo" passa também a marcar profundamente a sua obra.
A característica principal das pinturas de Pollock é a unidade, com a particularidade de serem feitas directamente, sem esboço. A imagem - abstracta - é construída à medida que vai sendo executada.O grande salto na carreira de Pollock deu-se na década de 40, quando o pintor conheceu aquela que, mais tarde, se tornaria sua mulher: Lee Krasner, artista ligada à arte abstracta.
A partir de 1950, a produção artística de Pollock entrou em declínio. O pintor perdeu a inspiração, entrou em estado depressivo e refugiou-se de novo no álcool. O seu casamento desfez-se e a sua pintura deixou de fazer furor. Morreu em 1956, aos 44 anos de idade, quando o carro que conduzia - em estado de embriaguez - se despistou e bateu contra uma árvore, a um quilómetro da sua casa de East Hampton. A morte violenta do pintor transformou a história da sua vida numa fábula trágica.Hoje, Pollock continua a ser louvado pela crítica e pelo público em geral, que o reconhecem como um dos maiores pintores modernos.
(Fontes: Sofia Frazoa e Claudia Castelo)
Demoliu os limites impostos pelo cubismo, dando origem a um movimento artístico que ficou conhecido por Expressionismo Abstracto e que veio dar credibilidade à pintura americana do pós-guerra. A forma de pintar de Pollock ficou conhecida por "action painting".
O papel do inconsciente e dos sonhos na criação vão influenciar Pollock, que admira artistas como Picasso e Miró. Em 1939, Pollock começa a fazer psicanálise segundo o método do suíço Carl Jung, e o conceito de "inconsciente colectivo" passa também a marcar profundamente a sua obra.
A característica principal das pinturas de Pollock é a unidade, com a particularidade de serem feitas directamente, sem esboço. A imagem - abstracta - é construída à medida que vai sendo executada.O grande salto na carreira de Pollock deu-se na década de 40, quando o pintor conheceu aquela que, mais tarde, se tornaria sua mulher: Lee Krasner, artista ligada à arte abstracta.
A partir de 1950, a produção artística de Pollock entrou em declínio. O pintor perdeu a inspiração, entrou em estado depressivo e refugiou-se de novo no álcool. O seu casamento desfez-se e a sua pintura deixou de fazer furor. Morreu em 1956, aos 44 anos de idade, quando o carro que conduzia - em estado de embriaguez - se despistou e bateu contra uma árvore, a um quilómetro da sua casa de East Hampton. A morte violenta do pintor transformou a história da sua vida numa fábula trágica.Hoje, Pollock continua a ser louvado pela crítica e pelo público em geral, que o reconhecem como um dos maiores pintores modernos.
(Fontes: Sofia Frazoa e Claudia Castelo)
2.1.08
MEXER
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(Pollock)
A sensação é de alguma fragilidade, como se tivesse um bebé e não soubesse bem o que fazer com ele. Talvez olhar com calma, perceber o que necessita, o que me pede. Talvez ouvir-lhe o gargalhar e entender que, dele, podem surgir as ideias ainda quietas, mexer-lhe as formas e sentir-lhe o cheiro.
1.1.08
PARA QUE A VIDA NÃO MORRA
Iniciar um ano com um novo blog. Não que o antigo fosse feio ou antipático. Era apenas antigo. Cansei. Matei-o. Morte bonita, anunciada devagar e dita depressa. Aqui podem surgir poderes de imagem ou palavra. Presenças mais ou menos vincadas pelas dobras da existência que se quer contente, sadia. Aqui acontecerão presenças de passagem pela dobra e pelo grito. Como se fosse urgente criar, a partir dos próprios criadores de cores e de texturas, de sons e de sabores. Para que a vida não morra atrás da porta fechada e dos gritos trancados.
DOBRAS E GRITOS (1)
Hoje é um dia diferente dos outros. Não por ser o primeiro do ano, mas por poder ser um punhado de horas que nos farão existir em contentamento. Se assim o decidirmos. Aborrece-me o facto de ter, neste dia, mais olheiras que no anterior.
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