28.9.11

TREVAS

A estrada paralela ao mar estava vazia, como vazios podem ser os dias que o não são. A consciência que tenho do tempo não me permite a compreensão do que sou. O tempo faz-me entender contextos, é uma construção que permite que a vida se organize, que os dias se contem, que os meses se sucedam e que as horas se passem. 
Presa ao tempo, vivo dias sem controlo, entre a escuridão e a claridade, a indignação toma conta de mim. É o escuro que perturba, a ausência de luz pode turvar-nos tanto que caímos no abismo. 
Quando a ignorância cresce à medida que a escuridão avança, as trevas invadem o difícil.

4 comentários:

ana sales pinheiro disse...

Sem palavras! Parabéns!
A "raiva" cresce. ;))

Dobra disse...

Obrigada. Bjs :)

sandra disse...

Também é no e com o Tempo que se preenchem estados de consciência, que se firmam existências, que se despertam essências... A ideia/projecção temporal é tantas vezes limitativa, porém,quando vivido numa dimensão de consciência maior, onde não há espaço para o vazio, o Tempo é libertação, é luz, é consciência...

Dobra disse...

É verdade que é libertação, luz e consciência ou... prisão, trevas e letargia :) Dependerá de quem o sente e de como se sente. Beijinhos, Sandra.

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