10.10.12

Certezas perigosas

A incapacidade de olhar para trás dos próprios ombros, para além dos próprios olhos e para depois do próprio mundo, sempre me causou aflição. Encerrados na verdade rugosa que a pouca vida lhes ofereceu, os estúpidos são os que encarnam a sabedoria de plástico e a consideram universal, impõem-na como única, e vivem-na como exclusiva. Longe da sabedoria dos ignorantes, dos que reconhecem a necessidade e a importância do saber, os estúpidos param no tempo das certezas que agarram com força, por causa da insegurança do corpo e da alma que os atormenta até às entranhas. 

Não fosse, a estupidez, mais perigosa que um terramoto, e era bonito sentá-los em frente a si mesmos, fazer-lhes um teste sobre si próprios e ensinar-lhes que o mundo é muito maior do que imaginam. O problema é que não se sentam, não se olham e não se conseguem ensinar. O estúpido não colabora, persiste no erro encarado como certo porque pensa que o certo é apenas ele mesmo.

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