23.7.10
22.7.10
PODEMOS FICAR SEM NADA
Um dia querem mais, investem em momentos de afectividade profunda. Fazem festinhas na barriga e sonham com o futuro rebento, projectam-se nele. Depois de nove meses de peso e varizes, lá vão elas gritar de dor e de contentamento.
Os “rebentos rebentam” cá para fora e o mundo transforma-se, como se um vulcão arrasasse todas as verdades que antes defendiam com afinco. Deixam de sair, deixam de ir ao cinema, deixam de ler, deixam de namorar e de pôr perfume para uma noite romântica. Pior, deixam de ter assunto que não seja a criança, o leite, as fraldas, a escola, a gripe, a alergia, a febre, a tosse, as perninhas que já gatinham e o sorriso parecido com meia família. Toda uma vida se transfere para o rebento de quatro quilos e sessenta centímetros, todos os assuntos se encerram na pequena e ingénua criatura, todos os anos se ensopam naquela existência pequena.
O tempo passa sem que, interesse para lá dos filhos, absorva espírito ou corpo. Vem a escola, os deveres, as actividades extra-curriculares, os amigos, as festas dos amigos, as mães dos amigos, os vizinhos dos amigos, a roupa, os sapatos, o pôr e o buscar. Toda a vida da criatura já crescida se ensopou na vida da mãe. Deixou de viver porque quis, porque pensou que era assim, porque escolheu diluir-se no filho, porque não correu atrás de si mesma enquanto a mão se mantinha perto do rebento, da criança, do adolescente e do adulto. Transformou a mão em corpo e todo o espírito se foi.
Um dia o filho sai de casa. Fica o vazio que a mãe preparou. Depois a mãe percebe que abdicar de tudo em favor de um outro tudo, faz com que fiquemos sem nada.
21.7.10
20.7.10
TESTE
19.7.10
SEGREDO
18.7.10
ESCUTA
A forma como nos encostamos à parede é, também, a forma como nos vemos ao espelho. A forma como colocamos o ouvido à escuta é, também, a forma como queremos ser escutados. Mesmo que o não saibamos.
17.7.10
PERSPECTIVA
16.7.10
15.7.10
INCERTEZA E CLARIVIDÊNCIA
14.7.10
"ILUSÃO ÓPTICA DA CONSCIÊNCIA"
13.7.10
12.7.10
LIMITE
As pernas tremem e ficamos a olhar para uma parede que é espelho, que nos acolhe com necessidade e urgência.
Avançamos enrolados no excesso, no cansaço, na dúvida e no espanto e batemos com a alma contra a parede e o corpo contra a alma, ou ficamos quietos para podermos encontrar a alma dentro de um corpo que quer paz?
Há alturas em que paramos porque se acende o sinal de urgência e de encontro. O caminho espera para ser percorrido mas, só depois de desembrulharmos o excesso, o cansaço, a dúvida e todo o espanto que um espelho pode oferecer.
6.7.10
RECORDAÇÃO DE SI MESMO

“Além dos meros requisitos de viver e de se reproduzir, o que o homem mais deseja é deixar uma recordação de si mesmo. Talvez uma prova de que na realidade existiu. Deixa essa prova na madeira, na pedra ou nas vidas das outras pessoas. Este desejo profundo existe em toda a gente, desde o rapaz que faz bonecos numa parede até ao buda que grava a sua imagem no espírito de uma raça. Esta vida é tão irreal! Creio que chegamos mesmo a duvidar que existimos e andamos por aí a provar a nós mesmos a nossa existência.”
John Steinbeck; Pastagens do Céu.
5.7.10
FORMATO DO NARIZ

Grant Wood
3.7.10
2.7.10
MULHERES
1.7.10
SILÊNCIO
30.6.10
VERDADEIRA NATUREZA
“Estamos tão habituados a olhar para fora de nós mesmos que perdemos quase inteiramente o acesso ao nosso eu interior, o qual nos aterroriza porque a nossa cultura não nos deu qualquer ideia sobre o que iremos encontrar. Podemos até pensar que nos arriscamos à loucura se o fizermos… e este é um dos últimos e mais habilidosos truques do ego para evitar que descubramos a nossa verdadeira natureza.”
29.6.10
28.6.10
26.6.10
ALMA FRIA
- De duas formas: mastigando e ouvindo as suas perguntas.
25.6.10
CONDIÇÕES
24.6.10
MARESIA
23.6.10
ATRÁS DA PORTA
Despe o casaco e respira fundo. O silêncio da casa é interrompido pela campainha da
22.6.10
21.6.10
DOBRAS E GRITOS (40)
20.6.10
CHEGADA
Chegar a Lisboa ao final da tarde de Domingo é como chegar perto de um copo com água em momento de sede. Esta cidade chama-me. Todos os dias.
19.6.10
PORQUE SIM
Os parágrafos sucediam-se com conteúdo e forma. Bonitos. Luísa arrepiava-se, colocava a sensibilidade acima do entendimento e a beleza acontecia.
Depois ficavam as mãos e o grito. A ponte era percorrida.
18.6.10
MORREU JOSÉ SARAMAGO
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
16.6.10
A OBRA DO AMIGO
Um dia, com o cigarro aceso e o sorriso aberto disseste-me: "não sejas burguesa". Recordo com saudades as palavras que me ofereceste. Com cigarro e sem cigarro. Porque os amigos ficam, mesmo quando se sabe que estão a criar longe. E muito bem!
15.6.10
AMOR É ESTRADA PLANA

Grant Wood
Porque o amor é aquela coisa bonita que acontece quanto duas pessoas deixam a sua natureza falar. Uma ouve a da outra e responde sim, sem desconforto. Porque o amor é tão plano quanto a estrada que vai para o Alentejo. Desliza-se sem mágoa quando se entende tudo o que se vê na linha do horizonte e quando se sente o corpo cheio de contentamento.
14.6.10
LORD HENRY (1)

Georges Seurat
"- Quando uma velha senhora cora, não é nada bom sinal. Ah, Lord Henry, quem me dera que me dissesse como rejuvenescer.
- Recorda-se de algum pecado terrível que tenha cometido no seu tempo de juventude, Duquesa?- Receio bem que tenham sido bastantes
- Então volte a cometê-los. Para recuperar a juventude, basta repetirmos as nossas loucuras."
Oscar Wilde; O Retrato de Dorian Gray
13.6.10
12.6.10
SIMPLE THINGS
11.6.10
LORD HENRY

"Não existem boas influências, Mr. Gray. Todas as influências são imorais, imorais de um ponto de vista científico.
- Porquê?
- Porque influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o actor de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo."
Oscar Wilde; O retrato de Dorian Gray
GARDEN
Talvez Luísa se sente num banco de jardim em Lisboa. Talvez encare a hipótese de uma palavra nos olhos de quem não vê. João não sabe se gosta de jardins, mas entende-a.
10.6.10
9.6.10
DIA SEGUINTE
8.6.10
MELODIAS E PALAVRAS
Às vezes, o dia tem chuva. Quando o calor faz as noites secas, depois da chuva ir embora, respira-se tudo de uma vez, para não perdermos nem as palavras nem as melodias.
7.6.10
SEM ROSTO
6.6.10
O DIA ANTERIOR
Wild Horses
João descansou. Percebeu que alguma coisa se podia tornar numa espécie de desafio caloroso que ele ia manter porque sim. João era concentrado. Atento. Depois de escrever um e-mail, encostava-se na cadeira e olhava para o tecto atrás de si, pensando: Onde é que esta mulher estava em 1984 e que sonho tinha em 76?
2.6.10
DÁDIVAS
1.6.10
TOLOS
31.5.10
OPÇÃO
30.5.10
29.5.10
28.5.10
O QUE NÃO TEMOS

Francis Bacon
“Porque nos falta sempre mais do que aquilo que temos e porque as pessoas que não nos convidam são sempre mais que as que o fazem. A nossa percepção do que tem valor será, portanto, radicalmente distorcida se condenarmos sempre como entediante tudo aquilo que não temos, simplesmente porque não o temos” Alain de Botton
27.5.10
26.5.10
AS PALAVRAS (1)
25.5.10
AS PALAVRAS
24.5.10
DESIGUALDADE
A.C.S.
23.5.10
22.5.10
TENHO UM AMIGO LONGE
21.5.10
MOMENTO FACEBOOK (5)
- Devo sentar-me?
- Figura de retórica ou escreves de pé?
- Escrevo de pé e só com uma mão. Na outra tenho a espada.
- Lá estás tu convencido de que és igual ao Camões.
- Está bem. E essa novidade?
- Terminei o livro e pensei chamar-lhe “Livro do Desassossego”. O que achas?
20.5.10
MOMENTO FACEBOOK (4)
- Estou cansada.
- Que te aconteceu?
- Nada mais que a vida.
- Não te preocupes, Deus ajuda-te.
- Qual Deus?
- Aquele que tu inventas para te sentires protegida.
- Eu não invento.
- "Sou eu próprio uma pergunta colocada ao mundo e devo providenciar a minha resposta. Caso contrário estarei reduzido à resposta que o mundo me der" (Carl G. Jung)- E a resposta que o mundo me der pode satisfazer-me. Caso contrário providenciarei para que a encontre no lugar único da existência autêntica: Eu mesma! De qualquer forma, entre o mundo e a minha existência não há incompatibilidade: assim eu possa encontrar o equilíbrio.
19.5.10
MOMENTO FACEBOOK (3)
- Hoje tive um dia mau.
- Porquê?
- Porque a chuva atirou-me as ideias pela sarjeta.
- Não leves as ideias para a rua.
- Tenho que as levar, elas não me largam quando vou comprar bananas.
- Vais fazer as bananas no forno?
- Não, saí para as comprar mas passei o tempo todo a agarrar as ideias na sarjeta. Quando cheguei à mercearia do Sr. Jacinto já estava fechada.
- E agora?
- Agora não como as bananas gratinadas mas escrevo um texto.
- Sobre quê?
- Sobre a impossibilidade de comer bananas no forno quando as ideias querem fugir.
18.5.10
MOMENTO FACEBOOK (2)
- Olá, estás feliz?
- Que é isso?
- Não sei, talvez uma espécie de momento.
- Um estar que querias que durasse toda a vida.
- Uma pequena transitoriedade.
- Bem me parecia que a diferença entre o ser e o estar era imensa.
- Imensa, cara amiga. Shakespeare usou o verbo To be: Ser ou Estar
- Nunca tinha pensado nisso.
- Então pensa, pensa nessa imensa diferença que faz com que a felicidade não seja mais que um estar pequeno e intermitente que nos empurra para um tempo fragmentado de prazer. Nada mais.
17.5.10
MOMENTO FACEBOOK (1)
- Olá.
- Olá, como estás hoje?
- Melhor. Cheguei do fim de semana e lembro o que me disseste há dias.
- Não disse. Escrevi.
- Pois. Escreveste: Se não sabe, porque pergunta?
- Carver.
- Eu sei. Mas não li. As perguntas são sempre úteis.
- Enganas-te. Não são. Se queres ser feliz, não faças perguntas.
14.5.10
13.5.10
UM CHINÊS
- Ah sim? De quem?
- Um chinês que era comunista e diziam que também era poeta.
- E quem era ele?
- Era o 971!
12.5.10
CIÊNCIA
- O que é isso?
11.5.10
ARBITRÁRIO
- Podem interpretar o esquema das duas maneiras. A ordem é arbitrária.
- O que é isso?
- Não sabem o que é arbitrário?
- Eu sei, eu sei. É aquela coisa que passa de pais para filhos!
10.5.10
VOCABULÁRIO
- Ai disse? Que deficiências?
- De vocabulário. Acha bem?
- Acho perfeitamente legítimo, sim.
- O que significa legítimo?
7.5.10
6.5.10
5.5.10
JUNTOS
4.5.10
SENTIDAMENTE
3.5.10
TEXTO SIMPLES
2.5.10
1.5.10
30.4.10
GENTE QUE USA O RELÓGIO PARA ENFEITAR O PULSO
- Combinado. Às duas na esplanada.
- Avisa-me quando chegares.
- Para quê?
- Para saber que já lá estás.
- Saberás que cheguei se chegares à hora combinada.
- Mas eu atraso-me sempre um pouco.
- Então diz-me quanto tempo te atrasas e marcaremos outra hora.
- Que disparate.
- Disparate é marcar hora para não se cumprir.
- Não podes ser assim tão radical.
- Eu não sou radical. Sou coerente.
29.4.10
A FILHA DO MEU AMIGO ANTÓNIO
- Pai, quando fechas a porta do frigorífico, a luz apaga-se?
- Apaga, filha.
- Como é que sabes?
28.4.10
PALAVRÕES
27.4.10
LUGAR DO NADA
26.4.10
SEM DESCANSO

Max Weber
- E da vida?
- Da vida tenho. Todos os dias me confrontam com dilemas que me causam náuseas.
- Náuseas?
- Sim, aquele tipo de enjoo que sentes quando tens de escolher.
- Escolhes e pronto!
- É da escolha que tenho medo, porque é ela que me obriga a viver sem descanso.
25.4.10
OUTRO JOGO
21.4.10
20.4.10
COISAS QUE ME INQUIETAM (23)
19.4.10
COISAS QUE ME INQUIETAM (22)
Procurar lugar, estacionar, subir as escadas, procurar a loja, procurar a secção certa, ir para o vestiário, esperar na fila, vestir, número errado. Despir, sair do vestiário, procurar outro número, entrar no vestiário, fila, esperar, entrar, vestir de novo, não fica bem no corpo.
Vestir, voltar a sair, procurar nova loja, descer as escadas, subir as escadas, voltar ao princípio, procurar a caixa. Fila. Esperar, pagar, voltar a descer as escadas, ir para o estacionamento. Máquina de pagamento, fila, nova espera.
Entrar no carro e respirar fundo para não gritar de raiva. Uma tarde perdida e nada acrescentei à minha vida.
18.4.10
17.4.10
DE CADA VEZ
Quando se sobem escadas e se percorrem ruas, não há conversa. Conversar enquanto se anda é desperdício de tempo, nem se entende o que se fala, nem se olha para o que passa. Não. Definitivamente, as coisas precisam de separação para que Luísa as mastigue.
O mar está lá para que o sinta de perto, o livro existe para que o agarre com os olhos, as pernas percorrem caminhos para que os entenda. Não pode existir clareza em nenhuma ideia se a misturarmos com o corpo.
16.4.10
AO MESMO TEMPO
Enquanto lê, olha para as ondas; enquanto olha para as ondas, pensa nas frases lidas. Teresa continua com todas as ideias concretizadas. Acredita que o mundo se conhece assim: entre olhares e afazeres, sem paragem.
15.4.10
SUBIR OU DESCER AS ESCADAS
- Anda, Luísa, daqui podemos ver o mar.
- Não quero ver o mar, Teresa.
- Porquê?
- Porque fico inquieta quando vejo o mar e não posso entrar nele.
- És tão disparatada, Luísa. Ver também é bom.
- É. Quando não queres agir.
14.4.10
DESCER DE PÁRA-QUEDAS
A Luísa sempre foi serena. Quando pensou em casar-se com o Pedro, convidou-me para madrinha. Dizia que era original ter uma amiga madrinha. Aceitei porque sabia que ela casaria com o Pedro. Como quando me pediu que a levasse ao aeroporto a meio da noite para esperar a família que vinha de férias. Que gira. Disse-lhe que sim porque sabia que saltaria da cama a meio da noite para qualquer coisa, muito mais para esperar quem vem de viagem.
A Luísa tem ideias, muitas ideias que põe em prática. Imagina que nada se desenrola sem a sua presença e depois inventa que tem de estar lá, para que o mundo aconteça.
O problema da Luísa é esse: estar presente. Um dia descobre que a vida pode acontecer sem ela e sente um alívio, a somar aos que encontra no virar da esquina que dobra serena. A Luísa anda sempre serena porque pensa que é assim que as pessoas vivem felizes.
Corre atrás da realidade e, qualquer dia, é vê-la a descer de pára-quedas, em vez de subir, como as pessoas iguais à Teresa. Não me admirava.
13.4.10
SUBIR DE PÁRA-QUEDAS
A Teresa sempre foi extravagante, até nos namorados. Quando pensou em casar-se com o Paulo, convidou-me para levar as alianças. Dizia que era original ser uma amiga a transportar o objecto. Aceitei porque sabia que ela nunca casaria com o Paulo. Como quando me pediu que a levasse ao aeroporto a meio da noite para esperar a equipa do Benfica que tinha ganho não sei o quê. Maluca. Disse-lhe que sim porque sabia que não saltaria da cama a meio da noite para coisa nenhuma, muito menos para ir ver jogadores cansados dos pés.
A Teresa tem ideias, muitas ideias que não concretiza. Imagina que tudo se desenrola sem a sua presença e depois inventa que tem de estar lá, nos momentos em que o mundo acontece.
O problema da Teresa é esse: concretizar. Arranja muitos namorados e quer ir esperar jogadores. Um dia descobre que a vida não se inventa e tem mais um desgosto, a somar aos que encontra no virar da esquina que dobra a correr.
A Teresa anda sempre a correr porque pensa que é assim que as pessoas vivem felizes. Corre atrás dos sonhos que inventa e, qualquer dia, é vê-la a subir de pára-quedas, em vez de descer, como as pessoas normais. Não me admirava.
12.4.10
FATAL IMPERMANÊNCIA
9.4.10
FATAL PERMANÊNCIA
Estar de férias permite ao corpo uma permanência lânguida e fatal. Tudo se mantém, como se o mundo tivesse parado. Não gosto de estar de férias porque não sei dizer ao corpo outra coisa que não seja: cala-te!
8.4.10
7.4.10
6.4.10
5.4.10
3.4.10
2.4.10
POR CAUSA DAS PALAVRAS
Ele é escritor. Ela é aprendiz. Encontraram-se por causa das palavras. Ele escreveu a primeira frase. Ela continuou a ideia. Um dia vão construir uma história. Porque é assim que as coisas boas acontecem. Sem aviso prévio.






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