22.2.11

GRITOS EM MOLDURAS

Ir até ao fundo de uma solidão procurada. Respirar devagar. Perceber que se está em frente à alma com o corpo todo posto em cima de uma mesa. Olhar para as palavras e enfeita-las com o sentimento que se esconde porque é teimoso ou tímido. Voltar a respirar. Fumar um cigarro longo, sem mãos nem fumo nem objecto. Sentir as costas na cadeira e perceber a existência dentro de um escritório com livros e molduras. Emoldurar todos os gritos que, dentro, dançam com risos e lágrimas.

4 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

Não há solidão procurada.
Escolha outro modo, por favor.

Dobra disse...

Imagine-se em casa. Toca o telefone algumas vezes. De todas as que o ouve, recusa atender. Prefere a busca de um espaço e de um tempo seus. Imagine que passados alguns dias, as mesmas pessoas que ligaram enviam mensagens e e-mails. Prefere não responder. O espaço e o tempo são de uma solidão que procurou. Porque sim!

-pirata-vermelho- disse...

Faço isso todos os dias, há anos; não é solidão, é livre escolha.

Dobra disse...

Livre escolha de solidão, caro amigo.

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