10.4.12

Enterro dos risos

Paula Rego
















Dias inteiros de trás para a frente, sem saber se o lugar que está atrás é melhor que o lugar que está à frente. Dias de dúvida e desatino. Mãos postas em palavras estáticas e voz muda em lugares secos. Dias sem sequer ter vontade, esse monstro interior que procura objetivo e não encontra mais que parede. Noites de sono profundo e inútil, quando o querer tem os músculos moles e os risos se enterraram no tédio.

2 comentários:

ana s. pinheiro disse...

Há " dias inteiros" assim...
Vale, acima de tudo, haver quem no-los saiba descrever tão bem!;)

Dobra disse...

Sempre generosa, esta miúda. Bjs

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