19.5.08

AQUILO EM QUE SE NÃO MEXE


(Kandinsky)

“Devido à nossa forma de avaliarmos o mundo, através dos sentidos, a ideia de que uma coisa pode existir em mais do que um estado ao mesmo tempo é absolutamente contra-intuitiva. Este é o prodígio do mundo quântico”, ensinou-me Deepack Chopra num livro que me ofereceram ontem. Mal podia imaginar que viria a escrever assunto tão fora do meu alcance. Certo é que, assim que peguei no livro, lembrei-me do famoso “Gato de Schrödinger e de como a experiência deste físico, me fez conversar uma noite inteira com quem entende do assunto.

Simplificando a ideia, trata-se apenas de entendermos que é a observação que transforma a possibilidade em realidade. É bom partirmos do princípio que estamos num mundo de possibilidades em aberto, de vidas ainda não vividas, de objectos não tocados e de ideias não concebidas. Pertencemos ao universo como o peixe pertence ao seu elemento vital. Estamos em sintonia com tudo o que está e é à nossa volta. Pensamos que o mundo em que não mexemos é longínquo e não percebemos a maior parte das coisas que nos acontecem. Pura desatenção.

A forma como olhamos para as coisas transforma-as. Somos nós que construímos as realidades à nossa medida. Tudo está sempre incompleto. Possibilidades são tidas como realidades porque assim o percepcionamos. Não é por acaso que uma mesma realidade é percepcionada de formas diferentes por pessoas diversas, não é à toa que o nível mais básico e fundamental da natureza não é material, actua para lá do alcance do espaço e do tempo que, muito simplesmente, também não existem materialmente.

Vivemos num mundo onde não há objectividade, onde cada cadeira em que nos sentamos é constituída por átomos ultramicroscópicos, constituídos por partículas sub atómicas. No domínio quântico, os acontecimentos ocorrem à velocidade da luz e, a essa velocidade, os sentidos não conseguem processar tudo o que contribui para a nossa experiência perceptiva.

Resta-me pensar, aqui na cadeira onde me sento e me sinto, que o mundo que eu vejo não existe fora do entendimento que dele tenho, as coisas em que não mexo, não olho ou não experimento, fazem parte de um domínio não local que, por força da teimosa segurança que procuro, insisto em inscrever numa materialidade inventada.

1 comentário:

Eduardo Aleixo disse...

Ainda bem que gostou de Chopra. Não sei porquê - ou talvez saiba - mas não me surpreende.De facto, essa separação, que nos ensinaram, entre o observador e o observado, não existe. Nós somos o Universo. Influenciamos o Universo. Com o poder das palavras. Com a intenção por detrás delas. Com o sentido que damos à Energia que a todos nos liga. Ou enviamos Amor ou...E tudo vem de volta.

Eduardo Aleixo

( À beira de Água )

Enviar um comentário