16.5.12

Nariz partido


Depois do cansaço sentou-se na cadeira da sala escura com quadros na parede. A cadeira era velha, os quadros falavam e a sala tinha mais de trinta anos. Sentiu a preguiça invadir-lhe as pernas e ficou. Parada. Abriu os olhos e viu que o escuro era igual ao do dia anterior. 

Os escuros não são todos iguais mas aquele era tão particular que preferiu vê-lo com calma. Encontrou todos os fantasmas lá dentro, conversou com eles, serviu-lhes água fresca e riu de tudo muito alto. 

Quando o som do telemóvel a fez saltar da cadeira velha numa sala escura com quadros que falam, bateu com o nariz na mesa e gritou, muito antes de ler a mensagem desfasada da sua realidade.  

3 comentários:

Rita Roquette de Vasconcellos disse...

... até me doeu
:-)

Dobra disse...

:)

Rafa disse...

"Os escuros não são todos iguais"... realmente não são ;)

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