Muito tempo sem rotina pode transformar-nos em verdadeiros “fazedores de coisa nenhuma”. Chegou o tempo de voltar a colocar o relógio no pulso e a vida no pensamento. O corpo ficou com as marcas do sol e a alma evadiu-se do mundo que persiste.
31.8.08
22.8.08
COISAS QUE ME INQUIETAM (6)
Chegar a Lisboa para voltar a partir. A cidade está quieta. Desfazem-se malas. Respiro o aroma da casa fechada. Abro as janelas todas. O vento faz-me sentir os dias de férias que restam. Os braços ainda não se prepararam para novas tarefas. Setembro está perto. O mês de algumas angústias!
11.8.08
FÉRIAS, AINDA
(Picasso)
Quando os olhos se fecham debaixo do sol, quando o presente se mastiga, acredita-se sempre no impossível. Porque os melhores momentos se vivem devagarinho, de férias continuarei, até Setembro.
DOBRAS E GRITOS (24)
Ontem disseram-me que os blogues que param nas férias, correm o risco de morrer. Não acreditei. Pareceu-me conversa inventada para que eu viesse aqui, dizer que estou viva. Ainda.
24.7.08
FÉRIAS SEM DOBRAS NEM GRITOS

(Picasso)
Mala de viagem é importante. Pequena. Colorida. Completa. Empurram-na os ávidos arbítrios de quem parte. Até ao destino, tudo o que não encerra liberdade, esvai-se. É urgente limpar a existência, olhar para o outro mundo e materializar as fantasias, agora possíveis.
Os passos lentos carregam ávidos arbítrios, mãos prudentes, corpo despido, vestidos brancos e tempo em liberdade. Agora o lugar para onde tudo corre é, também, o tempo dos destinos indiferentes.
Deixo a certeza de que voltarei.
23.7.08
DIA PEQUENO

(Picasso)
Num dia pequeno, a rua era estreita e sombria. A terra, sem sorrisos. Saiu de casa e desceu a calçada íngreme até ao centro da vila. Comprou pão, fruta e flores. Cansada do peso que carregava, voltou com passos lentos. Dois dias depois, pariu. Nasceu uma mulher. Hoje, as horas certas e as ruas estreitas são, ainda, objecto de culto para quem, num dia pequeno, gritou pela primeira vez.
22.7.08
21.7.08
PALAVRAS

(Picasso)
As palavras estão gastas, velhas, sujas e cansadas. Procuradas, lidas, pensadas e postas em fila. As palavras não são precisas, pequenos ensaios de nada que completam dias iguais. As palavras estão fora de mim quando as leio, quando não as oiço em silêncio. Não sou eu que escrevo as palavras gastas, velhas, sujas e cansadas. São apertos de peito que expulsam as letras e os sons. E assim me sento a olhar para elas.
18.7.08
DOBRAS E GRITOS (23)
Vou-me embora no dia em que perceber que a rua onde vivo é estreita demais para mim.
17.7.08
12 - PABLO PICASSO
Pablo Ruiz Picasso nasceu em Málaga a 25 de Outubro de 1881.
Foi, reconhecidamente, um dos mestres da Arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares de trabalhos: pinturas, esculturas e cerâmica. Conhecido como co-fundador do Cubismo, diz-se que levou toda a sua vida a saber pintar como uma criança.
Morreu a 8 de Abril de 1973.
Foi, reconhecidamente, um dos mestres da Arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares de trabalhos: pinturas, esculturas e cerâmica. Conhecido como co-fundador do Cubismo, diz-se que levou toda a sua vida a saber pintar como uma criança.
Morreu a 8 de Abril de 1973.
16.7.08
COISAS QUE ME INQUIETAM (5)
Perante o avesso da vida, há quem reclame sem buscar alternativas.
Os que não podem beber vinho e não procuram água para saciar a sede, morrerão clamando da má sorte.
15.7.08
14.7.08
VESTIDO

(Frida Kahlo)
Sempre. Em dias de muito calor. Recusava o vestido fresco. Hoje, em cima de uma contente nudez, um vestido de fino tecido. Há sempre, nos dias de muito calor, instantes de longa entrega.
11.7.08
BANHO DE COISAS NOVAS
10.7.08
IRRITANTEMENTE SIMPLES

(Frida Kahlo)
Tem por hábito viver sem artifícios. Ao corpo dedica algum tempo. Nunca se esquece dos brincos em casa. No colo, não coloca mais do que um fio preto. Não tem nos braços, doirados estridentes, não usa nos olhos, brilho de espécie alguma.
Irritantemente simples é expressão oferecida por uma amiga para definir o seu despojamento. Paciência para roupa escolhida em horas de loja não há. Tempo no cabeleireiro não desperdiça. Rejeita horas de deleite ocioso em centros comerciais. Restam-lhe os prazeres do feminino resguardado na intimidade do ginásio ou no gabinete onde escolhe a cor das unhas todas as semanas.
São poucas as decisões de critério complicado. Em dias ou noites excepcionais, é tempo de energia em movimento, de cores nos olhos e de batom a condizer. Nas horas comuns da existência ela é, de facto, irritantemente simples.
É irritante a simplicidade quando esbarra na rasteira vulgaridade de um corpo sem alma ou desta sem conteúdo. Pode ser árido o dia e escura a noite quando o vestido e os sapatos não combinam, quando a carteira gasta pelos instantes parece ter sido usada por uma tia longínqua, quando as palavras não jogam dentro de uma qualquer frase dita em esplanada de bairro.
Não prova, através de um corpo muito enfeitado, o conforto dos membros descomprometidos, o contentamento de um cabelo sem tinta e a alegria dos ténis em noite de calor.
Nos momentos que vive sem tinta, desfruta o maior prazer porque são instantes vividos de forma irritantemente simples.
9.7.08
COISAS DIFÍCEIS
Quando as férias se aproximam, fico com tamanha preguiça para escrever que parece, serem os dedos, cachos de bananas verdes. Tenho por hábito forçar o exercício físico e mental e tentar que o congelamento não se dê.
8.7.08
7.7.08
5.7.08
4.7.08
PARAGEM
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