25.11.11

Diário de Etelvina (08)

As meninas decidiram fingir que estavam a dormir, estavam tão acordadas quanto o sol que, naquele dia, nascera com o viço da manhã. Etelvina começou a cantar baixinho. As meninas abriram os olhos com indignação e afirmaram o despropósito da funcionária que cantava em serviço. No piso 3 julgava-se possuir a verdade. Da fragilidade e da ignorância, brotavam os maiores disparates. Etelvina tentava socorrer-se da experiência, esbracejava quando podia e abria os olhos com o poder dentro das pálpebras. As meninas ignoravam a funcionária. Viviam aquém de si mesmas e não queriam perceber que os dias ali passados eram a parte de trás de uma vida fora do lugar. 

Paula Rego

2 comentários:

Bartolomeu disse...

Ai as meninas da sala 33... sempre "empenhadas" em fazer crer a Etelvina que "o mundo gira ao contrário e os rios nascem do mar".
;)

Anónimo disse...

para quem gosta de Paula Rego;

www.facebook.com/paulafigueiroarego

cmpts.

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